
O malogrado antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, poderia ter sido um candidato ao Prémio Nobel da Paz caso tivesse deixado o poder até 2012.
A sua famosa máxima: “Nem mais um tiro! Preservemos os homens para negociar a paz“, demonstra uma visão de liderança que valoriza a vida acima de qualquer ambição pessoal.
No entanto, a realidade é que muitos governantes estão mais preocupados com a acumulação de bens e poder do que com a criação de um legado duradouro.
José Eduardo dos Santos dedicou a sua juventude à luta e ao seu partido MPLA, mas hoje é largamente esquecido. O que levou a isso? A resposta reside no facto de que o ex-Presidente amou mais os seus militantes do que o povo que governava.
Ao privilegiar os interesses de um grupo selecto de pessoas em detrimento do bem-estar colectivo, perdeu a oportunidade de construir um legado verdadeiramente significativo.
Um líder verdadeiramente memorável é aquele que se preocupa com o bem-estar de todos os seus cidadãos, independentemente do seu status social, filiação política ou poder económico.
Esses líderes têm a capacidade de unir o país, trabalhar para a inclusão social e promover a justiça. Eles são impulsionados por uma visão de longo prazo, em vez de se preocuparem apenas com os seus próprios interesses imediatos.
Ao negligenciar o povo em prol dos militantes, José Eduardo dos Santos falhou em criar um legado positivo e duradouro. Permitiu que a ambição pessoal obscurecesse a importância de construir uma nação unida, pacífica e próspera.
Essa falta de visão e liderança altruísta resultou no esquecimento progressivo do seu nome e das suas contribuições para Angola.
No entanto, é importante reconhecer que nem todo líder tem a sabedoria e a visão necessárias para priorizar o bem comum em vez de interesses pessoais. Essa falha não deve diminuir o valor dos esforços passados de José Eduardo dos Santos, nem invalidar a luta pela independência que liderou.
Ao escrever sobre este tema, cabe-nos reflectir sobre a importância de líderes que vejam além da sua própria ambição e trabalhem para o benefício de todos.
Devemos buscar líderes que pretendam deixar um legado duradouro, cuja marca na história seja a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. Só assim poderemos preservar a memória dos líderes que verdadeiramente priorizaram o povo sobre si mesmos.
*Activista dos Direitos Humanos