
Diversos relatórios científicos e investigações especializadas apontam para o uso de armas biológicas em múltiplos conflitos armados ao redor do mundo.
Esses documentos evidenciam que agentes patogênicos têm sido empregues como instrumentos de guerra, com o objetivo de causar doenças, incapacitação ou morte em populações civis e militares, configurando uma ameaça significativa à segurança internacional e à saúde pública.
Um exemplo emblemático da instrumentalização de estratégias biológicas no contexto da Guerra Fria é o caso de “Patrice Émery Lumumba”, então primeiro-ministro da recém-independente República Democrática do Congo (RDC).
Documentos desclassificados revelam que agentes da CIA, sob o governo de Dwight D. Eisenhower, elaboraram planos para assassinar Lumumba, temendo sua aproximação com a União Soviética e a consequente inserção da RDC na esfera de influência socialista, diversos métodos de eliminação física foram considerados, incluindo o uso de agentes biológicos.
Entre as hipóteses analisadas, destacaram-se o vírus da varíola e, sobretudo, atoxina botulínica, considerada particularmente eficaz por sua ação rápida e letal, provocando paralisia muscular e respiratória, levando à morte em curto espaço de tempo.
A substância foi enviada à África com o objetivo de ser utilizada na operação. Nas regiões da República Democrática do Congo (RDC) onde Patrice Émery Lumumba gozava de maior apoio popular, observou-se, em curto intervalo de tempo, o surgimento de diversos surtos epidemiológicos.
Esses episódios resultaram em elevado número de mortes entre a população local, afetando inclusive membros do recém-estabelecido governo congolês.
A coincidência entre o avanço político de Lumumba e o aparecimento dessas crises sanitárias levanta questionamentos sobre possíveis estratégias de desestabilização, especialmente em um contexto marcado por tensões geopolíticas e interesses externos na manutenção da instabilidade regional.
A actual situação sanitária no continente africano suscita sérios questionamentos quanto à possibilidade de ataques biológicos deliberados.
Observa-se um aumento significativo na incidência de doenças cuja origem, segundo alguns estudos e análises críticas, pode estar associada a manipulações laboratoriais.
Nesse contexto, práticas de bioterrorismo têm sido relatadas de forma recorrente em diferentes regiões da África, muitas vezes sob o silêncio ou a omissão de atores internacionais que, em tese, teriam a responsabilidade de zelar pela estabilidade e pela paz no continente.
Diversos países africanos, têm enfrentado recorrentes surtos do vírus Ebola, Marburg, HIV/AIDS, Coronavírus, tuberculose, varíolas, etc…, embora a origem do vírus seja geralmente atribuída a fontes naturais — como reservatórios zoonóticos —, algumas características observadas em sua atuação e letalidade têm suscitado questionamentos sobre uma possível manipulação laboratorial.
A elevada taxa de mortalidade, a rápida disseminação e a resposta relativamente eficaz de certos medicamentos ocidentais, mesmo em contextos onde tais doenças não são endêmicas, levantam hipóteses sobre a natureza e o controle desses surtos.
Nesse contexto, é possível considerar que tais países estejam enfrentando formas de bioterrorismo, caracterizadas pela utilização de agentes patogênicos como instrumentos de dominação, desestabilização ou exploração.
A África concentra a maior parte dos 10 milhões de mortes estimadas causadas globalmente todos os anos por doenças infecciosas.
*Investigador em Segurança e Defesa