
Há quem acredite que violência é apenas aquilo que sangra, grita ou explode nas ruas. Engano. A mais cruel das violências não precisa de tiros nem de pancadas: basta a injustiça social e económica, cuidadosamente mantida e reproduzida pelas próprias instituições que deveriam proteger os cidadãos.
Chama-se violência institucionalizada porque se esconde nos gabinetes, nos orçamentos, nas decisões políticas e administrativas que condenam milhões a viver na margem, sem oportunidades, sem dignidade e sem voz.
É violência quando um jovem com diploma em mãos não consegue emprego porque não tem “padrinho”. É violência quando uma mãe precisa escolher entre comprar pão ou pagar o transporte para que o filho chegue à escola.
É violência quando hospitais públicos carecem de medicamentos, enquanto clínicas privadas prosperam para poucos privilegiados.
E não se trata de acaso, mas de escolha. Escolhas políticas que priorizam obras de fachada em vez de investimentos sérios em educação e saúde.
Escolhas económicas que concentram riqueza em poucas mãos e relegam a maioria ao abandono. Escolhas institucionais que alimentam a corrupção, a impunidade e a exclusão social.
A injustiça social e económica é a pior das violências porque, ao contrário do crime comum, não é perseguida nem punida. Pelo contrário, é protegida pelo silêncio e, muitas vezes, legitimada por discursos vazios de “compromisso com o povo”. Enquanto isso, milhares morrem de fome, de doenças evitáveis e da desesperança.
É preciso dizê-lo sem rodeios: não é natural que um país rico mantenha o seu povo pobre. Não é aceitável que a maioria viva de migalhas enquanto a minoria se banqueteia.
Não é admissível que a juventude seja empurrada para a rua ou para a emigração, porque o seu próprio país não lhe abre portas.
Combater esta violência exige mais do que reformas cosméticas. Requer coragem para enfrentar os privilégios instalados, desmontar a corrupção enraizada e redistribuir os recursos de forma justa.
É preciso transformar o Estado num verdadeiro instrumento de equidade, e não num guardião dos interesses de poucos.
A injustiça social e económica é uma agressão diária, silenciosa e covarde. Denunciá-la é um dever. Combatê-la é uma urgência. E tolerá-la é ser cúmplice de uma violência que não se vê, mas que mata todos os dias.
*Secretário Nacional para Informação e Comunicação do Bloco Democrático