
A juventude angolana carrega, hoje, um fardo pesado: a perda da esperança. As portas das oportunidades fecharam-se, o desemprego alastra-se como uma praga e o futuro parece cada vez mais distante.
Diante deste cenário, muitos jovens têm procurado refúgio nas casas de apostas, onde acreditam encontrar uma saída. Mas o que encontram, na verdade, é uma falsa esperança, um círculo vicioso que os aprisiona ainda mais.
Os jogos de azar vendem ilusões. Prometem riqueza rápida e acessível, mas entregam ansiedade, frustração e dependência. Tornam-se uma droga social, capaz de viciar mentes e sufocar sonhos.
Ao mesmo tempo, o Estado mostra-se incapaz de oferecer alternativas reais: programas de emprego que funcionem, políticas públicas que abranjam a juventude ou estratégias que devolvam a dignidade perdida.
É triste reconhecer que, para muitos jovens, nomes como Premier Bet, Ango Foot, Bantu e outras casas de jogo se tornaram mais familiares do que editais de concursos públicos, programas de bolsas de estudo ou oportunidades de formação profissional.
É como se a esperança tivesse mudado de endereço, abandonando o país e instalando-se nos balcões das apostas.
Mas será este o destino que aceitaremos para a nossa juventude? A resposta deve ser um sonoro não. A esperança de um povo não pode depender da sorte.
Ela precisa nascer do trabalho, da educação de qualidade, do empreendedorismo, do talento e da criatividade que sempre caracterizaram a juventude angolana.
É urgente mudar essa realidade. Se queremos uma Angola próspera, precisamos devolver aos jovens a confiança no futuro. Não podemos permitir que sejam feitos reféns da ilusão.
Somos todos filhos desta terra, e é responsabilidade colectiva construir um país onde a esperança não seja jogada nos dados, mas plantada nas oportunidades concretas que cada jovem merece.
A juventude não pode viver de fichas. Precisa viver de sonhos reais, sustentados por políticas sérias e um compromisso firme com o desenvolvimento. Só assim Angola poderá resgatar a sua maior riqueza: o potencial da sua própria juventude.
Um brínde à vida!