A Palestina foi ver o outro – Manuel Rui
A Palestina foi ver o outro - Manuel Rui
M Rui

Os cobóis que dizimaram os índios, donos da terra, foram celebrizados pelo cinema, na minha infância brincávamos aos cobóis, os mais novos ficavam de índios e levavam zagaiadas de arcos feitos com paus da beira do rio da granja e flexas de pau afiado, um primo meu ficou com uma veleda num olho com essa brincadeira.

E foram décadas com os cobóis a dominarem os cinemas como grandes homens que matavam os índios, criminosos naturais a quem se cortavam as orelhas, depois os cobóis assaltavam-se uns aos outros, a diligência que levava o dinheiro, os bancos, escravizavam os negros para lá levados de escravos para as plantações de algodão e as minas.

A América e o Brasil foram levantados por escravos originários de África e todos os genocídios foram chamados de guerras de pacificação.

Para não gastar o espaço recordo que aqui em Angola, os genocídios também foram chamados guerras de pacificação mesmo com o napalm sobre a Baixa de Cassanje.

O Ocidente, também chamado civilizado, ocupou à força territórios em África e na India, é preciso não esquecer, havia um vice-rei que nem deixava que os indianos pudessem apanhar o sal da sua terra. Os ingleses exploravam o sal e vendiam aos indianos.

As duas guerras mundiais foram inventadas pelos europeus. No fim os vencedores dividiram as terras roubadas.

Abreviando, não se pode negligenciar o livro sagrado dos Judeus, ensinamentos que terão sido enviados por Deus a Moisés no alto do Monte Sinai, durante o êxodo do povo judeu entre 1300 e 1250 a. C.

Foram 400 anos que os hebreus (antepassados dos judeus) foram escravizados no Egipto, depois libertos com a ajuda de Moisés, até peregrinarem pelo deserto em direção à terra prometida por Deus.

A Torá é semelhante ao velho testamento da Bíblia e divide-se em cinco livros: Génesis, Êxodo, Levítico, Números (numerologia) e Deuteronómio.

As dezenas de milhares sobreviventes do Holocausto, dispersos, foram acomodados em centros de acolhimento no oeste europeu em centros para refugiados e campos para deslocados de guerra.

Com a Partilha do Império Otomano após o final da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra ficou com a tutela da Palestina

Após o Holocausto e o fim da 2ª Guerra Mundial, o mundo inteiro vibrava com a situação dos judeus, diasporizados pelo mundo e a Inglaterra que detinha a Tutela sobre a Palestina, um território, como outros, sem estatuto de estado, decidiu em 1948, criar o Estado de Israel e marcou a situação bélica que se arrasta até aos nossos dias.

A busca dos judeus por um estado independentes após o Holocausto e perseguição histórica desencadearam uma série de tensões e hostilidades com os palestinos, que se sentiram prejudicados por essa política.

Mas as raízes históricas podem-se situar no fim do séc. XIX com o movimento sionista, em 1890, a partir de um livro escrito por Theodor Herzi, jornalista judeu húngaro que passou a defender a criação de um Estado para os judeus na Palestina.

O estado de Israel teve sucessos de transformar o deserto num oásis com um sistema cooperativo (kibutzim), rega gota a gota, produzindo citrinos e legumes, homens e mulheres trabalhando ombro a ombro, desenvolveu tecnologias militares das melhores do mundo mas passou a tratar os palestinos com violência, ocupando terras, colonatos, beneficiando do facto da Palestina ser um território que luta para conseguir a sua autodeterminação e, consequentemente, libertar-se das condições degradantes impostas pela força de Israel que limita a população da Palestina ao acesso a recursos básicos como a água e estrangulando a população de Gaza com um bloqueio económico desde 2007.

No princípio, era para se fazerem dois estados. Discutiu-se muito mas ao imperialismo convinha um estado belicamente forte e que servisse de tampão ante o mundo árabe. Foram várias as guerras, não esquecendo a derrota do Egipto. E Israel foi sempre considerado invencível.

Estava eu a ver um jogo de futebol. O meu clube sofreu um golo, mudo de canal e a malta da Palestina está dentro de Telavive. É o HAMAS, um dos partidos ou movimentos da Palestina. Os escravos dentro dos salões dos patrões, pânico, aeroporto abarrotado, gente no chão, esperam por um avião que os leve dali para fora, o mundo não quer acreditar mas é verdade.

Tenho antepassados judeus mas nunca fiz judiarias nem nunca vou cortar cabeças ou orelhas. Esse direito é só para os cobóis, nem queimar pessoas na cruz, esse direito é só dos jesuítas. Afinal, os grandes esquecem-se sempre da história. Tão simples dois estados…fora a maka de Jerusalém.

Do real ao fantástico é a mesma distância que vai do ódio para o amor. E tem pessoas pensando que os oprimidos nunca se revoltam e ganham. E agora? Mais sangue? Tudo isto são as maravilhas das mil e uma noites viradas ao contrário…

*Escritor, in JA

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