A visita de Joe Biden a Angola – Domingos Alberto
A visita de Joe Biden a Angola - Domingos Alberto
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Ao fim do seu mandato e após renunciar à sua recandidatura ao cargo de Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), como consequência do debate mal-sucedido com o candidato republicano Donald Trump, Joe Biden vai efectuar uma visita de Estado a Angola de dois dias.

Histórica, quer no contexto das relações político-diplomáticas, quer no quadro das relações de cooperação económica entre os dois Estados, a visita do quadragésimo sexto Presidente da maior potência mundial a Angola realiza-se num contexto particularmente complexo da política internacional, marcado pelos conflitos no Médio Oriente e na Europa, entre a Rússia e a Ucrânia, esta apoiada pelos Estados Unidos e pelos seus aliados ocidentais.

Sendo Angola um país de média relevância no cenário da política internacional, por que motivo o Presidente norte-americano faz uma visita de Estado ao país na fase final do seu mantado?

Não cabe, neste texto, apresentar tudo quanto possa ser possível para compreender as motivações da sua visita de Estado a Angola, no entanto, permitam-me providenciar aquilo que me parece ser relevante, tendo em conta a posição e o papel de Angola no contexto africano.

Enquanto Estado, Angola possui, na esfera africana, um lugar de relevância política, não apenas no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Região dos Grandes Lagos, local onde se tem registado instabilidade político-militar há vários anos, mas também integra a lista de países com maior relevância no seio da União Africana (UA).

Este estatuto, associado ao seu papel na promoção da paz e da estabilidade político-militar no continente, coloca Angola numa posição de destaque e de privilégio no cenário da política africana.

No quadro da sua Política Externa, o engajamento das autoridades angolanas nas dinâmicas securitárias tem sido determinante para o seu posicionamento à escala global, possibilitando o diálogo permanente e contínuo não só com instituições estatais, mas também com as Organizações Internacionais infra-estatais.

Enquanto Estado, que promove a paz e a segurança internacionais, Angola tem suscitado o interesse das potências mundiais, não apenas pela sua experiência passada enquanto palco do conflito na Guerra-Fria, mas sobretudo pela sua localização geográfica, pelos seus recursos naturais e pela sua estabilidade política.

Os Estados Unidos, que têm mostrado um forte interesse em estreitar as relações económicas com os países africanos, consideram Angola como um país importante e estratégico no quadro da contenção da presença e influência russo-chinesa em África.

Para tal, um dos mecanismos para tornar efectiva tais estratégias consiste no investimento económico, com realce para o Corredor do Lobito, projecto construído no período colonial, com o objectivo de ligar as regiões ricas em minérios na República Democrática do Congo (RDC) e na República da Zâmbia aos mercados globais.

Com impacto social e económico na vida das populações, o Corredor do Lobito, também conhecido por Caminho-de-Ferro de Benguela, é um projecto de enorme importância estratégica para Angola, para a região Austral e para o continente africano de um modo geral, cuja modernização dinamizará a economia dos países da região e contribuirá, inevitavelmente, para a melhoria de vida das populações.

A estadia do Presidente norte-americano no país reveste-se de enorme relevância política. Para além de colocar Angola na agenda da Política Internacional, a sua visita não só poderá impulsionar a imagem do país junto dos credores internacionais, atrair o investimento estrangeiro privado, perspectiva-se, de igual modo, o estímulo à melhoria do ambiente de negócios no país, imperativo fundamental para dinamizar o crescimento da economia local.

*Analista Político e Investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS)

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