
Se o primeiro Abel que existiu no mundo, segundo dados históricos, foi morto pelo seu irmão Caim, o Abel angolano “mata” os seus irmãos Adalberto Costa Júnior e Filomeno Vieira Lopes, respetivamente, deixando a Frente Patriótica Unida (FPU), criada pela sua espertice política em 2022, quando não tinha refúgio para participar nas quintas eleições gerais que o país teve o ensejo de realizar.
A amizade e o compadrio não existem na política, mas sim os interesses. Que o diga Chivukuvuku, depois de insucessos recorrentes na CASA-CE, da qual se lhe atribui a fundação, após abandonar a UNITA, o partido histórico do mosaico político angolano, a par do MPLA e da FNLA, em 2012.
A FPU serviu como uma plataforma de sobrevivência política para Abel, dando-lhe o amparo necessário e ganhos recíprocos, pois a UNITA logrou atingir uma safra inimaginável de deputados na Assembleia Nacional, tendo em conta a unificação de esforços entre as figuras mencionadas no parágrafo anterior.
Este cenário em África é comum, sobretudo quando se avizinha o processo eleitoral. A história recente da FPU mostrou claramente qual é o caminho para derrotar o todo-poderoso MPLA.
Peço aos meus amigos do partido que não me apedrejem — estou apenas a entrar no campo das hipóteses —, mas esse caminho passa, certamente, pela conjugação de energias de todos os partidos políticos da oposição, formando uma “coligação” para o alcance do poder.
Em 2018, na República Democrática do Congo, o clima foi tenso e houve uma crispação entre os partidos da oposição, principalmente entre Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo e Martin Fayulu — só para trazer dados concretos — e esse ambiente não foi aproveitado pelo candidato de Joseph Kabila, Emmanuel Ramazani Shadary, ex-ministro do Interior, por ter estado envolvido na repressão violenta dos protestos contra a permanência do presidente Kabila no poder e ter sido sancionado pela União Europeia.
Abel, feliz da vida e com luz verde para caminhar sozinho rumo ao conclave de 2027, manda os seus aliados à pastorícia. Na altura em que Chivukuvuku quase ficou fora do jogo, vozes experientes no seio da UNITA e da sociedade civil foram alertando para a esperteza daquele que era uma das figuras de proa no partido na época da “outra senhora”, porém, os decisores quiseram ser surdos.
É caso para dizer: Abel tornou-se noivo do PRA-JÁ oficialmente, e o casamento está aprazado para 2027.