Accionistas da TAAG rejeitam nomeação de Jaime Miguel Carneiro
Accionistas da TAAG rejeitam nomeação de Jaime Miguel Carneiro
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Os principais accionistas da TAAG – Linhas Aéreas de Angola bloquearam a nomeação de Jaime Miguel Carneiro para o cargo de Presidente da Comissão Executiva (PCE) da companhia aérea nacional, por considerarem que o processo não observou os procedimentos legais e estatutários que regem a governação da empresa.

Desde a reestruturação da TAAG, a nomeação dos órgãos de gestão é da exclusiva competência da Assembleia-Geral de Accionistas, órgão máximo da empresa, que integra o IGAPE (actual IAPE), detentor de 50% do capital social, a ENNA, com 40%, e o Fundo Social dos Trabalhadores dos Transportes, com 10%.

Foi precisamente neste quadro que, no início de Dezembro, o anúncio da alegada nomeação de Jaime Miguel Carneiro como novo PCE da TAAG, em substituição de Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira, gerou forte desconforto interno, uma vez que não existia qualquer deliberação da Assembleia-Geral que sustentasse tal decisão.

Face à polémica instalada, a Assembleia-Geral da TAAG reuniu-se para apreciar a indicação do então administrador para a área comercial da companhia.

Contudo, durante o encontro, os dois accionistas maioritários – o IGAPE (IAPE) e a ENNA – recusaram votar favoravelmente a proposta, inviabilizando formalmente a nomeação de Jaime Miguel Carneiro.

Fontes ligadas ao processo indicam que a tentativa de mudança na liderança executiva terá sido impulsionada pelo ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, que procurou obter a validação dos accionistas após a divulgação pública da informação.

Ainda assim, prevaleceu o entendimento de que qualquer alteração na gestão deveria obedecer estritamente aos mecanismos legais e estatutários da empresa.

A posição firme dos accionistas terá sido reforçada por informações segundo as quais a tentativa de afastamento do actual PCE, Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira – em funções desde finais de 2023 – estaria ligada a um conflito entre este e o titular da pasta dos Transportes.

O desentendimento teria origem na oposição de Nelson Oliveira à continuidade de um contrato com uma empresa espanhola de carga prestadora de serviços à TAAG.

De acordo com as mesmas fontes, o PCE defendia a rescisão imediata do contrato, por considerar que a parceria estaria a causar prejuízos estimados em cerca de dois milhões de dólares norte-americanos à companhia aérea nacional.

Apesar da rejeição formal por parte da Assembleia-Geral, a situação originou um cenário considerado insólito por observadores do sector.

Na terça-feira, dia 23, durante a cerimónia de cumprimentos de fim de ano no Ministério dos Transportes, a TAAG surgiu publicamente com dois presidentes executivos: um anunciado mediaticamente, sem respaldo legal, e outro legalmente designado e reconhecido pelos accionistas.

O episódio evidencia o peso determinante dos accionistas na governação da TAAG e expõe tensões entre a gestão empresarial e tentativas de interferência externa, num momento em que a companhia aérea enfrenta desafios financeiros e procura consolidar a sua reestruturação e credibilidade institucional.

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