
O activista Pedro de Sousa, membro do Movimento Revolucionário Contra a Subida dos Combustíveis, responsabilizou o Executivo angolano, liderado pelo Presidente João Lourenço, pelos tumultos registados em várias províncias do país nos dias 28, 29 e 30 de Julho, durante a greve decretada por taxistas.
Em reacção ao discurso à nação proferido recentemente pelo Chefe de Estado, Pedro de Sousa considerou “infeliz” a postura presidencial ao atribuir responsabilidades às lideranças associativas do sector dos transportes, sublinhando que “o foco deveria estar na resolução dos problemas sociais que afectam directamente os cidadãos”.
“O Presidente foi infeliz ao transferir a responsabilidade para os taxistas. O Executivo deveria, isso sim, tomar medidas concretas para aliviar a situação económica das famílias, que enfrentam dificuldades cada vez maiores”, disse o activista, que também é defensor dos direitos humanos na província do Namibe.
O mesmo criticou ainda a política de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, afirmando que “tem impacto negativo direto na vida das famílias angolanas, que não possuem meios de auto-sustento”.
Acrescentou que o cenário de protestos é reflexo de uma insatisfação acumulada com a gestão governativa.
Os tumultos ocorreram em oito províncias: Luanda, Bengo, Benguela, Lunda Norte, Malanje, Huíla, Icolo e Bengo e Huambo, resultando em actos de vandalismo e pilhagem de estabelecimentos comerciais.
Em resposta à crise, o Governo anunciou nesta segunda-feira (4) a disponibilização de uma linha de crédito emergencial de 50 mil milhões de kwanzas para apoiar as empresas afectadas pelos distúrbios.
A informação foi avançada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, no final de uma reunião com representantes do sector comercial.
Segundo Massano, o pacote visa repor o funcionamento dos estabelecimentos vandalizados, salvaguardar postos de trabalho e assegurar o abastecimento regular de bens essenciais à população.
Por: Chiena Chatela