
Um grupo de agentes autorizados da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE-EP) anunciou a suspensão dos serviços por um período de seis dias úteis, devido a uma dívida acumulada superior a um milhão de kwanzas.
A decisão foi tornada pública ontem, quinta-feira, 13, após um desentendimento entre a associação que representa os agentes e a direção da ENDE, motivado pelo alegado incumprimento de promessas e contratos, bem como pela falta de pagamento dos ordenados.
Segundo um informe assinado pelo porta-voz da associação e remetido à redação do Imparcial Press, os agentes exigem que pelo menos 50% da dívida seja liquidada imediatamente após a notificação da ENDE, enquanto o valor remanescente deverá ser pago em parcelas mensais.
A paralisação das actividades de cobrança poderá agravar ainda mais a situação financeira da ENDE, que se encontra em falência técnica desde 2022, com passivos superiores aos activos.
Entre 2017 e 2023, a empresa acumulou um prejuízo de 465,4 mil milhões de kwanzas (cerca de 836,4 milhões de dólares), resultado de tarifas abaixo do custo real e ineficiências operacionais, colocando em risco todo o subsector elétrico do país.
O porta-voz da associação, identificado apenas como Cunha, revelou que os atrasos nos pagamentos vêm ocorrendo desde 2016, mas a situação agravou-se nos últimos quatro anos.
A ENDE contratou 63 agentes autorizados para reforçar a sua força comercial, sendo que estes prestadores de serviço são responsáveis por mais de 70% da cobrança de tarifas de energia e pela manutenção da rede de distribuição elétrica.
Até ao momento, a ENDE não se pronunciou oficialmente sobre o caso, apesar das tentativas do Imparcial Press para obter esclarecimentos.