
A recente nomeação de Mário Baptista da Rocha como secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF) tem gerado críticas e controvérsias no meio desportivo angolano.
O antigo vice-presidente do Sport Luanda e Benfica carrega um histórico que compromete a sua credibilidade, tendo sido suspenso em 2018 por envolvimento em práticas de corrupção desportiva.
O caso remonta à época de 2014, quando Mário Baptista da Rocha e Carlos Brecha de Carvalho, então vice-presidentes do Sport Luanda e Benfica, foram acusados de pagar 1.250.000 kwanzas (cerca de 9.200 euros à taxa de câmbio da época) à árbitra Marximina Luzia Bernardo.
A quantia teria sido depositada na conta bancária da árbitra como parte de uma “operação de charme”, destinada a influenciar o resultado de um jogo a favor do clube durante o campeonato da 1ª divisão, o Girabola.
O Conselho de Disciplina da FAF deu o caso como provado, apresentando evidências como e-mails, comprovativos de depósitos bancários e testemunhos que atestavam a manipulação.
A decisão resultou na suspensão de Mário Baptista da Rocha e Carlos Brecha de Carvalho por seis anos, além de multas individuais equivalentes a 5.000 dólares. A árbitra também foi suspensa por três anos pelas mesmas práticas ilícitas.
Apesar do histórico comprometedor, Mário Baptista da Rocha foi nomeado secretário-geral da FAF a 6 de Janeiro de 2025, pelo presidente da entidade, Fernando Alves Simões. A escolha tem gerado uma onda de críticas, considerando o impacto negativo na imagem da FAF e na credibilidade do desporto angolano.
A nomeação de uma figura envolvida em corrupção desportiva para um cargo de alta responsabilidade lança dúvidas sobre os critérios de escolha e as prioridades da FAF.
O episódio também reaviva memórias de um período de fragilidade na gestão desportiva angolana, marcado pela manipulação de resultados e pela ausência de mecanismos eficazes de supervisão.
Para analistas e adeptos, a decisão da FAF desafia os esforços para restaurar a verdade desportiva e combater a corrupção no futebol angolano, pondo em xeque o compromisso da entidade com a transparência e a integridade no desporto.