
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, exonerou nesta sexta-feira a embaixadora de Angola na Alemanha, Balbina Malheiros Dias da Silva, nomeando-a para o mesmo cargo em Espanha.
A nomeação de Balbina da Silva para cargos diplomáticos tem sido alvo de controvérsia, sendo apontada como resultado da influência do ex-ministro das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, atualmente secretário do Bureau Político para as Relações Internacionais do MPLA.
Manuel Augusto, que iniciou a sua carreira como jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), teria conhecido Balbina da Silva na mesma instituição, onde a diplomata também trabalhava. Foi nessa altura que os dois “pombinhos” começaram a namorar.
Segundo fontes do Imparcial Press, ao ser nomeado secretário de Estado das Relações Exteriores (2010-2017), Manuel Augusto puxou a namorada para o Ministério das Relações Exteriores.
Meses depois, Balbina da Silva foi nomeada para o cargo de embaixadora de Angola na Zâmbia (2012-2019) pelo então Presidente José Eduardo dos Santos.
Com a chegada de João Lourenço ao poder, em 2017, Balbina da Silva manteve-se no cargo até 2019, altura em que foi nomeada para a embaixada de Angola na Alemanha.
De acordo com fontes do Imparcial Press, a nomeação foi feita sob forte influência de Manuel Augusto, que já era ministro das Relações Exteriores (2017-2020), fruto da proximidade entre ambos.
Durante os períodos em que esteve à frente das embaixadas angolanas na Zâmbia e na Alemanha, a diplomata acumulou críticas por parte dos funcionários diplomáticos, sendo acusada de arrogância e abuso de poder.

Relatos indicam que várias denúncias foram apresentadas ao Ministério das Relações Exteriores, mas acabaram por ser ignoradas pela tutela, que na altura era liderada por Manuel Augusto.
A nomeação de Balbina da Silva para Espanha levanta novas interrogações sobre os critérios de escolha para cargos diplomáticos e reacende o debate sobre transparência e meritocracia na diplomacia angolana.
Além da exoneração de Balbina da Silva, o Presidente João Lourenço afastou igualmente os embaixadores Agostinho Tavares da Silva Neto, em Harare, Zimbabwe; Baltazar Diogo Cristóvão, em Rabat, Marrocos; José Filipe, em Budapeste, Hungria; Alfredo Dombe, em Madrid, Espanha; e Eduardo Filomeno Bárber Leiro Octávio, em Kigali, Ruanda.
Num movimento de rodízio diplomático, os exonerados foram realocados para novas missões: Alfredo Dombe foi nomeado para Ruanda, Baltazar Diogo Cristóvão para o Zimbabwe e José Filipe para Marrocos.
A rotação diplomática vai contra a directriz anunciada por João Lourenço em Março de 2023, quando defendeu que os embaixadores não devem permanecer indefinidamente no mesmo posto.
O Chefe de Estado referiu, na altura, que o novo modelo estabelece um período máximo de três a quatro anos para cada missão diplomática.
“Já tivemos embaixadores angolanos que permaneceram no mesmo país por duas décadas”, afirmou na altura João Lourenço, sublinhando que a reforma da diplomacia angolana visava promover uma maior eficácia na política externa e reforçar a imagem de Angola no cenário internacional.