
O Presidente da República, João Lourenço, exonerou hoje (segunda-feira, 06), em decreto, ao seu pedido, a apresentadora do telejornal Ana Maria de Lemos Rodrigues de Gouveia, ou melhor, Ana Lemos, do cargo de Administradora Não Executiva da Televisão Pública de Angola (TPA).
No seu lugar, segundo o informe, o Chefe do Estado nomeou José Carlos Marinho que até então chefiava um departamento na TPA.
Segundo as informações, a apresentadora terá solicitado a sua desintegração do Conselho de Administração da TPA, com a esperança de ser despachada para o Reino de Espanha como adida de imprensa.
Quando tudo parecia estar em conformidade, Ana Lemos ficou a saber que a sua pretensão caiu ao “saco roto”, pois o titular da pasta de Comunicação Social, Mário Oliveira, recebeu “ordem superior” para a substituir, segundo o Club K, por uma jovem, descrita como sendo sobrinha da presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira.
De acordo com a nota, João Lourenço reconduziu os restantes seis membros da direcção da TPA, nomeadamente:
De realçar que Ana Lemos concluiu em Julho último a sua licenciatura em Comunicação Social, pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto. No seu trabalho do fim do curso, a mesma abordou sobre o “Telejornalismo” e o juri lhe atribuiu uma nota de 18 valores.
A ex-Administradora não Executiva da TPA já foi bailarina, mas foi o jornalismo que a levou para a ribalta. No passado era um dos rostos mais conhecidos da televisão e hoje passou a intitular-se de empresária.
Em Abril de 2015, a jornalista concedeu uma entrevista ao portal Be Like, contando sobre a sua trajectória profissional. O Imparcial Press faz questão de trazer a tona alguma parte da referida entrevista.
Como é que entrou para o mundo da televisão?
Costumo dizer sempre que foi quase acidentalmente. Comecei pelas mãos de alguém muito especial na minha vida… Uma amiga, companheira e camarada, a Emanuela Coelho da Silva, e depois através do Balduíno Carlos. Eu achava que não tinha jeito nenhum para estas coisas, mas eles acabaram por contrariar a minha tese e faço televisão até hoje.
Teve que “lutar” directamente com os homens para se afirmar no jornalismo?
Existem várias formas de luta… Nunca me intimidou passar por qualquer tipo de censura ou reprovação para conseguir alguma autonomia, ou provar que sou capaz de ser útil no meu trabalho e na sociedade… A minha luta interminável é ser reconhecida pelo meu trabalho. De resto, julgo que as barreiras que eventualmente enfrento são as mesmas que as mulheres da minha geração enfrentam.
Quais as funções que já desempenhou na TPA?
De facto, foram várias e comecei cedo! Já fui chefe de sector, de secção, editora, coordenadora, sub-directora de informação… Hoje, e porque o meu sangue sempre ferveu na direcção de informação, sou ainda apresentadora do telejornal, faço reportagens e sou assessora do conselho de administração da empresa.
Qual a sua opinião em relação ao jornalismo que se faz hoje em Angola?
É uma questão sensível. Não sei se é melhor responder enquanto jornalista ou simples cidadã atenta aos factos. Tudo depende também do desenvolvimento e da história do país, mas olhando para tudo o que se escreve ou se lê, tudo que se ouve ou se vê, tenho de convir que é motivo de preocupação. Há hoje uma maior liberdade de expressão em todos os domínios mas, olhando para um esboço de problemas e desafios, na perspectiva de fazermos um jornalismo de melhor qualidade, diria que precisamos de trabalhar muito.
Como é a Ana Lemos fora do pequeno ecrã?
Uma mulher como todas as outras, apenas diferente pelo compromisso com a vida e a sociedade. Uma pessoa que fez uma opção profissional nada fácil, mas que é sensível, divertida, com defeitos e virtudes… (Risos)
Porque considera a sua opção profissional difícil?
Comecei a fazer televisão muito cedo, ainda não tinha 18 anos… Hoje, passadas algumas décadas, sinto que pela opção que fiz tive sempre de ser diferente das jovens da minha idade, fiz as mesmas coisas mas de modo muito diferente. Não me arrependo, sei que se o cenário se repetisse faria tudo da mesma forma, tendo em atenção que todas as lições de vida devem ser bem assimiladas.