
Angola assinou este domingo, em Addis Abeba, acordos de isenção de vistos para titulares de passaportes diplomáticos e de serviço com a Nigéria e o Burundi, à margem da 39.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
O acordo entre Angola e a Nigéria foi rubricado pelo ministro das Relações Exteriores angolano, Téte António, e pelo seu homólogo nigeriano, Yusuf Maitama Tuggar.
O instrumento visa facilitar a mobilidade de funcionários governamentais devidamente autorizados, reforçando as relações de amizade e cooperação entre os dois países.
Na ocasião, Téte António afirmou que a diplomacia deve “abrir caminhos” para que as relações entre Estados evoluam para uma maior aproximação entre os povos, considerando a facilitação de vistos um passo concreto nesse sentido, com impacto institucional e económico.
O governante evocou ainda os laços históricos entre Angola e a Nigéria, destacando o apoio nigeriano à luta de libertação angolana e o papel de figuras da diplomacia daquele país nas causas da África Austral.
Por sua vez, Yusuf Maitama Tuggar sublinhou que a livre circulação de autoridades governamentais cria condições para maior dinamismo do sector privado e para o reforço das trocas comerciais, manifestando expectativa de que, no futuro, a mobilidade possa abranger um universo mais alargado de cidadãos.
As relações entre Angola e a Nigéria assentam em laços históricos de solidariedade africana, diálogo político permanente e cooperação estratégica, com destaque para os sectores da energia e dos recursos naturais, num contexto em que ambos se afirmam como produtores relevantes de petróleo no continente.
Entendimento com o Burundi
Relativamente ao acordo com o Burundi, Téte António classificou a assinatura como histórica, sublinhando que o instrumento reforça uma relação assente em bases sólidas e numa longa tradição de cooperação.
O chefe da diplomacia angolana destacou o simbolismo do momento, marcado pela passagem da presidência da União Africana para o Burundi, o que, segundo disse, confere nova dinâmica às relações bilaterais.
O acordo prevê a facilitação da circulação de diplomatas e funcionários da administração pública entre os dois países, criando condições para a implementação efectiva dos instrumentos jurídicos já assinados e dos que venham a ser celebrados.
O ministro das Relações Exteriores, Cooperação Regional e Desenvolvimento do Burundi, Edouard Bizimana, afirmou que o entendimento pretende abrir caminho para uma cooperação que ultrapasse o domínio estritamente diplomático e político, alcançando os sectores público e privado.
Defendeu ainda que a aproximação se traduza em benefícios concretos para os povos, em linha com os ideais de integração africana.
Bizimana admitiu igualmente a possibilidade de, no futuro, o acordo evoluir para abranger um número mais amplo de cidadãos, promovendo maior mobilidade, comércio, turismo e intercâmbio económico entre Angola e o Burundi.