Angola: Cidadãs dizem ser filhas de José Van-Dúnem – Estão dispostas a fazer testes de DNA caso for necessário
Angola: Cidadãs dizem ser filhas de José Van-Dúnem – Estão dispostas a fazer testes de DNA caso for necessário
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Duas cidadãs angolanas – identificadas por Vanda Antonica Paim Van-Dúnem e Ondina Teresa Van-Dúnem – dizem ser proles de José Van-Dúnem, um dos protagonistas da manifestação ocorrida a 27 de Maio de 1977, em Luanda, que, posteriormente, resultou na morte de mais de 80 mil pessoas em todo país (de Maio 77 a 79).

Em declarações ao Imparcial Press, Ondina Van-Dúnem, mais conhecida por Xanda, revelou que antes do seu suposto progenitor assumir publicamente a relação amorosa com a finada Sita Maria Dias Valles, ele vivia maritalmente com a sua mãe de nome Luzia de Sousa Paim, no bairro da Cuca, no município de Cazenga.

Natural de Dande, província do Bengo, Luzia de Sousa Paim nasceu nos anos 50 (a 20 de Março), participou activamente na luta contra o colonialismo a partir do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Esteve em Brazzaville (onde o MPLA se refugiou após ser corrido pelo regime de Joseph Desirè Mobutu Sesse Seko) ao lado de Lúcio Lara (um dos arquitectos da chacina de 27 de Maio de 1977), José Van-Dúnem e companhia.

Um documento datado a 17 de Setembro de 1969, publicado pela Fundação Tchiweka (nome de guerra adoptado por Lúcio Lara), testa que a 19 do mesmo mês e ano, os Serviços de Segurança do Congo-Brazzaville ao Secretário-geral dos Negócios Estrangeiros, autorizando passar títulos de viagem a: Luzia de Sousa Paím; Eduardo Vidal José; Lamvu Garcia Norman; Zeferino Futi; Bento Manuel Miguel; Júlio Adão Bento; Mário João Weba (Brazzaville).

Curiosamente, foi no mesmo ano em que o Comité Regional de Luanda (CRL) conseguiu coordenar com sucesso o sequestro de um avião comercial, forçando-o a seguir para o vizinho Brazzaville (Congo). Participaram nesta operação José Van-Dúnem ao lado dos seus companheiros, Juka Valentim e Diogo de Jesus.

A mesma foi patenteada como coronel das Forças Armadas Angolanas nos anos 90, e mais tarde trabalhou como secretária no consórcio Comandante Loy – SA, uma instituição privada criada para apoiar os antigos guerrilheiros do MPLA, sobreviventes dos heróis de 4 de Fevereiro e ex-FAPLA.

Mas infelizmente, segundo os dados em nossa posse, a cidadã Luzia de Sousa Paim – que residia na rua Dr. António Agostinho Neto, casa n.º 49, no bairro Kinanga, na altura pertencia ao município (actualmente Distrito) de Ingombotas, em Luanda, faleceu a 7 de Março de 2013, no Hospital Militar.

As suas proles nasceram em Luanda, nos anos 70. A Vanda (que vive actualmente em Portugal) nasceu a 29 de Outubro de 1974 e a Ondina (que é actualmente casada com um oficial das FAA, vive na província do Huambo) nasceu no dia 9 de Junho de 1976.

As duas jovens senhoras estão a envidar esforços no sentido de contactar a família do finado José Van-Dúnem, mas sem sucesso. “Apenas temos falados com o tio Farel (tenente-general António Farel dos Santos Van-Dúnem, antigo vice-governador da província do Bengo) que é primo do nosso pai”, contou a Ondina, adiantando que a sua irmã Vanda foi criada pelo malogrado Pedro de Castro dos Santos Van-Dúnem “Loy”.

“O que pretendemos aqui é dissipar a ideia de que o nosso pai (José Van-Dúnem) só teve um filho [João Ernesto Valles Van-Dúnem]. Estamos dispostas a fazer teste de DNA se for possível para tirarmos essa história a limpo”, salientou, revelando ainda que a sua irmã Vanda, em Portugal, havia solicitada uma audiência a Francisca Van-Dúnem, na altura ministra da Justiça, mas foi ignorada pelos funcionários deste ministério. “Ela como não tem paciência, nunca mais voltou a tentar contactá-la”, rematou.

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