Angola com escassez de médicos reumatologistas
Angola com escassez de médicos reumatologistas
reumatoide

Angola necessita de pelo menos de cinco especialistas reumatologistas em cada província, para dar resposta às 150 doenças existentes do fórum reumático, informou hoje, quinta-feira, em Luanda, a presidente do Colégio Angolano de Reumatologia da Ordem dos Médicos de Angola, Esperança Nicolau.

A Reumatologia é a especialidade da medicina que estuda, diagnostica e trata diversas doenças que afectam o sistema muscoloesquelético e o tecido conjuntivo, encontrado nos órgãos e estruturas do nosso corpo como articulações, tendões, ossos, coluna, músculos, pele, coração e rins.

Segundo a médica, a necessidade ainda é maior na parte sul de Angola que não dispõe de nenhum médico dessa especialidade.

Falando à Angop, a propósito da realização da 1ª conferência sobre Lúpus, a decorrer nesta sexta-feira, em Luanda, referiu que no país existem apenas oito médicos reumatologistas, considerando insuficientes para a procura, razão pela qual os pacientes dessas localidades são obrigados a se deslocar para Luanda a procura dos serviços reumatológicos.

Fruto disso, a forma de actuação médica em Luanda está a ser executada de forma pressionada e reduzida, devido a grande avalanche de pacientes. “Se pelo menos dentro dos próximos cinco anos a parte sul poder ter reumatologista, já minimizava esta problemática“, referiu.

Definição do lúpus e suas manifestações

A responsável definiu o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) como uma doença inflamatória autoimune, que pode afectar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro, coração e pulmões.

Por uma razão desconhecida, o organismo passa a não reconhecer suas próprias células e produz anticorpos contra elas (autoanticorpos), causando diversas anormalidades clínicas e laboratoriais.

Fez saber que existem quatro tipos de lúpus, que se diferenciam de acordo com as particularidades da doença: o sistêmico, discóide, o induzido e o neonatal.

A sua causa não é totalmente conhecida, mas pode estar associada a factores ambientais, genéticos, hormonais e infecciosos.

A exposição solar excessiva também parece desencadear a doença em pessoas com predisposição genética, além do uso de determinados medicamentos e infecções virais.

De acordo com a especialista, a manifestação do Lúpus mais característica são as erupções cutâneas avermelhadas, febre, cansaço, fadiga, dores nas articulações, falta de flexibilidade nos músculos, inchaço nos membros do corpo e dor no peito ao respirar.

Entre os sintomas estão ainda dor de cabeça intensa, linfonodos inchados, alta sensibilidade à luz solar, dificuldades para urinar, feridas na boca e mal estar.

Lúpus é uma doença que não tem cura e não é contagiosa, ou seja, não há risco de ser transmitida de um indivíduo para outro, mas o seu
tratamento visa controlar a sua evolução e os seus sintomas, além de garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Dificuldades no diagnóstico

A presidente do colégio de reumatologia salientou que ainda existem muitas dificuldades no diagnóstico do Lúpus, pois é maioritariamente confundida com outras patologias devido a sua semelhança nos sintomas.

Os pacientes apresentam alterações clínicas e manifestações relacionadas a malária, infecção urinária, entre outros .

“Como nos encontramos numa região endêmica os pacientes acabam por ser diagnosticados analiticamente por presença de plasmódio no sangue, o parasita causador da malária, o que em pacientes com lúpus atrasa o diagnóstico”, lamentou.

Acrescentou que quase sempre esses pacientes são tratados inicialmente com malária, só após a insistência dos sintomas é aprofundado o diagnóstico.

Entretanto, alega que apesar da falta de aparelhos tecnológicos adequados para realizar exames específicos do Lúpus, o país nos últimos sete anos tem tido respostas positivas com a existência de alguns laboratórios com capacidade de colheitas que posteriormente foram enviadas para o exterior.

A aquisição dos fármacos também tem sido uma das grandes problemáticas, pelo facto de muitos deles não serem de fácil acesso e com preços elevados.

Esperança Nicolau disse que uma das grandes preocupações da classe tem haver com a desistência do tratamento por parte de alguns pacientes lúpicos por falta de aceitação da doença.“Muitos devido a quantidade de medicamentos, deixam de tomá-los e alguns chegam a perder a vida por isso“, frisou, afirmando que um paciente bem medicado tem uma vida normal e prolongada como qualquer pessoa.

Número de pacientes atendidos

Fez saber que na clínica Girassol tem registado 1.151 pacientes com diagnóstico de Lúpus, no período de 2013 a 2023. Semanalmente são atendidos cerca de 30 doentes, dos quais 10 têm a hipótese de diagnóstico de Lúpus, e acrescentou que o diagnóstico é fechado em cerca de dois a três pacientes que têm condições de continuar a fazer a investigação.

Por causa da doença que atinge cerca de cinco milhões de pessoas no mundo, foi instituído a data de 10 de Maio para chamar a atenção para o impacto que o Lúpus tem sobre as pessoas, realçando a necessidade de melhorar os serviços de saúde, aumentar a pesquisa sobre suas causas e sua cura; diagnosticar e tratar precocemente, melhorar os dados epidemiológicos em nível global e obter mais recursos para acabar com o sofrimento causado por essa doença.

in Angop

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