
Angola tem uma oportunidade histórica de mudar o seu destino. O país possui recursos naturais abundantes, uma população jovem e diversa, uma localização estratégica no continente e uma cultura rica e vibrante. No entanto, enfrenta também grandes desafios para superar a pobreza, a desigualdade, a dependência do petróleo e a fragilidade das instituições.
Neste contexto, é preciso resistir à tentação do discurso demagógico e populista que se aproveita das dificuldades conjunturais e sistêmicas para prometer soluções mágicas e imediatas, tais como apertar no interruptor e apagar as luzes de casa.
Ao contrário do que se prega, o país precisa de uma agenda de nação de longo prazo, que envolva reformas estruturais e a participação do cidadão.
As reformas devem visar o fortalecimento das instituições públicas, especialmente no poder judicial, para garantir o estado de direito, a proteção dos direitos de propriedade privada, a livre concorrência, a inovação e a criatividade.
As instituições devem também promover a diversificação económica, para reduzir a vulnerabilidade aos choques externos e criar empregos de qualidade.
A participação do cidadão deve envolver a ampliação e a igualdade de acesso aos serviços de saúde e educação, para investir no capital humano e aumentar a produtividade potencial da população.
Deve também incluir a criação e o fortalecimento de uma rede de segurança social, que apoie o rendimento das famílias mais pobres e vulneráveis, mitigue o impacto dos choques nas comunidades e incentive os investimentos em capital humano.
Angola não pode se contentar com o crescimento baseado na exploração dos recursos naturais e na construção de infraestruturas para atender demandas eleitoralistas. Esse modelo é insustentável e gera concentração de poder político e económico nas mãos de uma elite restrita.
O país precisa de um modelo de desenvolvimento inclusivo e sustentável, que beneficie toda a sociedade e respeite o meio ambiente. Esse é o único caminho para sair do círculo vicioso do subdesenvolvimento.