Angola: Governo desvaloriza reclamações de familiares de José Van-Dúnem e Sita Valles
Angola: Governo desvaloriza reclamações de familiares de José Van-Dúnem e Sita Valles
Sita e Ze

Instalou-se recentemente uma polémica entorno dos restos mortais de José Van-Dúnem e Sita Valles. Um exame forense independente realizado pela família de ambos concluiu que as ossadas entregues pelo Estado não correspondem com a dos seus familiares. A mesma opinião é partilhada pelas filhas de Nito Alves e dos demais.

Mas o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, assegurou ontem, sexta-feira, 26, a credibilidade do trabalho técnico e científico levado a cabo em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

O governante, que falava numa reunião de balanço das actividades realizadas pela Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), repudiou comentários dos familiares de José Van-Dúnem e Sita Valles, alegando que estes “procuram atacar a credibilidade do processo e dos trabalhos desta comissão”.

Já o coordenador do Grupo Técnico e Científico da CIVICOP, Cornélio Calei, ironizou os pronunciamentos, dizendo que, até ao momento, têm apenas conhecimento de uma reclamação de familiares que residem em Lisboa (Portugal), para quem isto não afecta a credibilidade do processo em si.

Cornélio Calei enfatizou que o Executivo levantou esse processo justamente para acalmar as almas das pessoas e das famílias. “Solicitamos que os vitimados estejam conosco porque o processo não é fácil. Se há um assunto que não correu bem, vamos sentar e encontrar formas para fazer com que tudo corra bem. Temos conhecimento de uma reclamação de familiares que residem em Lisboa. Aqui dentro do país, não temos nenhuma reclamação”, fez saber.

Por sua vez, o presidente da Fundação 27 de Maio, o general na reforma Silva Mateus, disse que não há qualquer contradição em relação aos dados até aqui divulgados pelo Estado, numa clara alusão aos testes feitos às ossadas de algumas vítimas do 27 de Maio.

“Como membros da comissão e parte integrante dela, acompanhamos e estamos dentro do assunto. Tudo o que foi dito, nós reiteramos. Não há qualquer problema. Está tudo a correr bem”, aclarou.

Silva Mateus, que participou na reunião de ontem, disse estava reservada, para hoje, no Cemitério do Alto das Cruzes, a realização de um acto de homenagem às vítimas do 27 de Maio.

Esclareceu que a escolha deste local se deve ao facto de estarem ali enterrados, agora, Nito Alves, Monstro Imortal, Sianuc e Ramalhete. “Antes, estavam lá as sete pessoas, tais como Nzaji, Saydi Mingas e outros, que estão lá desde 77 e, agora, com essas quatro pessoas que lá foram, fazem o grosso de individualidades vítimas do 27 de Maio”, explicou.

A mesma opinião é partilhada por Sandra Morais, do Laboratório Central de Criminalística, que deu a conhecer que a reclamação de que se tem conhecimento não foi feita diretamente ao Laboratório de Criminalística.

“Foram os órgãos de comunicação social que relataram esse engano, mas nós estamos com plena certeza dos nossos resultados. A certeza da identificação é plena, porque os nossos aparelhos e reagentes são devidamente certificados, temos plena confiança dos nossos resultados”, vincou.

Segundo a especialista, os resultados saídos daquele laboratório “não podem ser inventados e nem alterados, porque têm que ser os mesmos que têm que ser obtidos por outros países e outros laboratórios”.

Criada por Decreto Presidencial, em Abril de 2019, a CIVICOP tem por missão elaborar um plano geral de homenagem às vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola, no período de 11 de Novembro de 1975 a 4 de Abril de 2002.

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