
As populações das províncias mais afectadas pelo surto da cólera, nomeadamente Luanda, Bengo e Icolo-e-Bengo começaram a ser vacinadas contra a doença a partir de segunda-feira, 03 de Fevereiro, com a vacina do tipo Eurovixol.
Anunciou neste domingo, a ministra da Saúde, Silvia Lutucuta, em conferência de imprensa que serviu para anunciar a campanha de vacinação contra a doença.
As 948.466 doses de vacinas que a OMS (Organização Mundial da Saúde) disponibilizou para Angola no dia 20 de Janeiro do ano em curso, são insuficientes para dar cobertura às oitos províncias afectadas pelo surto da cólera que até ao momento de um total de 1584 casos confirmados já matou 59 pessoas.
Devido ao stock reduzido da vacina, apenas as populações das províncias mais afectadas, nomeadamente Luanda, Bengo e Icolo-e-Bengo, bem como os profissionais da saúde envolvidos no combate à doença serão vacinados na primeira fase.
“Queremos aqui repetir que o stock mundial de vacinas contra a cólera é apenas de 8 milhões de doses e para Angola foi disponibilizado menos de um milhão de doses. O país recebeu no dia 20 de Janeiro apenas 948.466 doses de vacinas. Em consequência, as comunidades a vacinar foram selecionadas com base nos critérios epidemiológicos atrás mencionados. Queria também aqui dizer que, para além das populações nestas comunidades mais afectadas, também vamos vacinar o pessoal ou os profissionais que trabalham na linha da frente”, disse a ministra da Saúde.
A vacina a ser usada para o combate contra a cólera em Angola é a comercialmente designada por Eurovixol, é de administração oral.
“E foi pré-qualificada pela Organização Mundial da Saúde em 2015. É fornecida em frascos para ser administrada em indivíduos com idades igual ou superior a um ano em dose única”, explicou Silvia Lutucuta.
Apesar do estoque reduzido da vacina contra a cólera disponibilizado pela OMS, a titular do sector da saúde espera que a campanha de vacinação contra a cólera venha atingir uma cobertura de 60 a 80%.
“Existem evidências de que a vacina em uma dose é eficaz nas áreas com surtos de cólera. Ela permite garantir a proteção da comunidade afectada e consequentemente a interrupção da transmissão da doença. A vacina será implementada ao mesmo tempo que estão a ser implementadas medidas, principalmente as medidas de higiene, saneamento, distribuição de água potável, comunicação de risco e engajamento comunitário”.
Um total de 6104 pessoas, entre vacinadores, mobilizadores, registadores, supervisores e pessoal local, incluindo efectivos dos órgãos de defesa e segurança estarão envolvidos na campanha de vacinação contra a cólera.
“Pedimos a serenidade e compreensão de todos os cidadãos do nosso país, no sentido de evitar interferências nos municípios onde decorrerá a campanha de vacinação”, apelou a ministra.
Silvia Lutucuta apela os cidadãos nas áreas onde irá decorrer a campanha, para que se dirijam aos centros de vacinação e cooperem com as equipas de vacinação nos seus bairros, comunas e municípios “para juntos vencermos a cólera”. “A cólera deve ser combatida por todos nós”, sublinhou.
OMS E UNICEF EM ANGOLA
A conferência de imprensa sobre o anúncio da campanha de vacinação contou com a presença dos representantes da OMS e da UNICEF em Angola.
O representante da OMS (Organização Mundial da Saúde) em Angola, Zabuloni Yoty destacou que as mulheres e crianças em áreas de risco serão o foco das equipes de vacinação durante a campanha.
“As vacinas são seguras, efetivas e serão usadas para todos que se encontram nas áreas prioritárias, incluindo as mulheres grávidas e crianças. A OMS não recomenda que a vacina seja usada para toda a população, mas sobretudo para as áreas prioritárias, onde a população esteja a ser afectada”.
“Permitam-me aqui apelar a toda a população em zonas afectadas no sentido de acorrerem amanhã (segunda-feira, 03) nos centros e locais de vacinação”, aconselhou o representante da OMS em Angola.
O representante da UNICEF em Angola, António Pina, garantiu que “a vacina que foi adquirida através dos nossos serviços de cooperação é uma vacina de qualidade, assegurada pela aprovação da OMS e pensamos que vai servir para dar uma resposta muito boa aqui em Angola. Essa vacina já foi testada em muitos países e acreditamos que vai dar bons resultados.”
Desde a primeira semana de Janeiro de 2025 Angola enfrenta um surto de cólera. Angola registou os dois primeiros casos da cólera no dia 01 de Janeiro deste ano no bairro Paraíso, município de Cacuaco, província de Luanda.
A doença que se espalhou em oito províncias do país, Luanda, Bengo, Icolo-e-Bengo, Malanje, Huambo, Cuanza-Norte, Huíla e Zaire já resultou desde o início do surto em 1584 casos, dos quais 59 óbitos foram a óbito.
Por Geraldo José Letras