
O secretário de Estado para o Ambiente, Iury Valter Santos, revelou recentemente que Angola produz diariamente cerca de 19 mil toneladas de resíduos, dos quais 39% são de natureza orgânica, 23% constituem plástico e 13% correspondem a papel e papelão — materiais com elevado potencial de valorização e reciclagem.
No entanto, destacou a ausência de sistemas eficientes de gestão integrada de resíduos no país.
“Actualmente, apenas 10% dos resíduos são reciclados. O restante acaba descartado em aterros, vias públicas e no mar, agravando os níveis de poluição ambiental”, alertou o governante.
Face a esse cenário, o Executivo está a implementar um conjunto de medidas estratégicas que inclui acções de educação ambiental, investimentos em infra-estruturas, parcerias com o sector privado e o reforço do envolvimento comunitário.
De momento, Angola dispõe de três aterros operacionais — um em Luanda (Mulenvos) e dois na província do Namibe. Está ainda prevista a criação de centros interprovinciais de valorização e tratamento de resíduos sólidos para atender as províncias de Bengo, Luanda, Icolo e Bengo, bem como o Huambo.
O secretário de Estado sublinhou que, para fazer face aos desafios complexos da gestão de resíduos, o Ministério do Ambiente conta com o suporte técnico da Agência Nacional de Resíduos.
Este órgão tem a missão de implementar a Política Nacional de Gestão de Resíduos, com base em instrumentos legais como o Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos.
Desde 2024, foram instalados 286 ecopontos em províncias como Luanda, Benguela, Huambo, Huíla e Malanje — localizados em escolas, mercados e comunidades. Em 2023, existiam apenas 70 unidades. A meta até 2027 é alcançar 350 ecopontos em todo o território nacional.
Relativamente ao Projecto PICAR, o secretário de Estado destacou que este apoia actualmente 45 cooperativas de catadores, beneficiando cerca de 10 mil pessoas com formação específica e equipamentos adequados para o manuseio e reaproveitamento de resíduos.
O Plano Provincial de Gestão de Resíduos Urbanos (PAPGRU), aprovado por Decreto Presidencial e submetido à Agência Nacional de Resíduos, integra-se no contexto da economia circular e contempla iniciativas como o Projecto “Educar para Reciclar”.
Este programa aposta na sensibilização e educação ambiental, bem como na gestão de substâncias químicas, com o objectivo de promover práticas sustentáveis a longo prazo.
“A ideia é desenvolver competências nos estudantes, promovendo mudanças comportamentais em relação à gestão de resíduos, tornando-os multiplicadores do conhecimento nas suas comunidades”, concluiu Iury Valter Santos.