
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, revelou esta quinta-feira, 20, na Assembleia Nacional, que Angola registou um défice orçamental de 369,5 mil milhões de kwanzas no terceiro trimestre de 2024.
Durante a apresentação e votação do Relatório de Execução Orçamental referente ao período de julho a setembro, a governante informou que as receitas arrecadadas totalizaram 4,33 biliões de kwanzas, enquanto as despesas atingiram 4,7 biliões de kwanzas, representando um desempenho de 18% em relação à receita anual aprovada pelo Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2024.
Vera Daves reconheceu que a diversificação económica e a redução da dependência do sector petrolífero continuam a ser desafios estruturais para o país, admitindo que o progresso tem sido mais lento do que o desejado.
“Gostaríamos que a diversificação económica avançasse a um ritmo mais acelerado, mas permanecemos comprometidos com esse objectivo, quer no sector energético, com as energias renováveis, quer na agricultura, indústria ligeira e turismo”, afirmou a ministra.
Em Janeiro, no âmbito do Plano Anual de Endividamento (PAE) 2025, a ministra revelou que o serviço da dívida do Estado angolano está fixado em 57,4 biliões de kwanzas, o equivalente a 58,61 mil milhões de dólares, representando 63% do Produto Interno Bruto (PIB).
A governante destacou que, para este ano, o Estado prevê captar 14,6 biliões de kwanzas em novos financiamentos, enquanto os pagamentos da dívida estão estimados em 13,2 biliões Kz.
“O endividamento continua a ser uma ferramenta essencial para o desenvolvimento do país. Embora o ideal seja maximizar a arrecadação de receitas fiscais e a utilização de recursos próprios, a gestão estratégica da dívida pública é indispensável para garantir a estabilidade macroeconómica e viabilizar investimentos prioritários”, sublinhou Vera Daves.
A ministra destacou ainda que, no mercado internacional, a antecipação do vencimento de parte dos eurobonds permitiu reduzir os pagamentos previstos para 2025 de 1,5 mil milhões de dólares para 864 milhões, enquanto no mercado interno o perfil da dívida foi ajustado para um modelo mais descentralizado, alinhado às necessidades económicas do país.