
A produção de ouro em Angola atingiu, em 2024, 2,9 mil onças, um número considerado abaixo das expectativas, tendo em conta a meta estabelecida no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), que previa 4,7 mil unidades para o mesmo período.
A informação foi avançada, sexta-feira, no Lubango, pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo.
Face a este cenário, o ministro convocou os operadores do subsector para uma sessão de auscultação, com o objetivo de identificar estratégias para impulsionar a produção, especialmente considerando que três províncias já estão a produzir ouro no país: Huíla, Cabinda e Huambo.
Segundo Diamantino Azevedo, a produção nacional de ouro ainda é reduzida, mas existem perspectivas de crescimento, sendo a província da Huíla um dos principais contribuintes para esse aumento.
Além do desafio de incrementar a produção, o sector enfrenta problemas como o crescimento do garimpo ilegal, questões sociais e fracas receitas, fatores que precisam de soluções urgentes para garantir um melhor aproveitamento do potencial aurífero do país.
O ministro avançou que está em construção, em Luanda, a primeira refinaria de ouro do país, que apesar de ter uma capacidade reduzida, está a ser edificada seguindo padrões internacionais, sob supervisão de quadros angolanos qualificados.
Quando concluída, a refinaria terá capacidade para processar todo o ouro extraído no país nos próximos 10 anos ou mais, reforçando a cadeia de valor do setor e a competitividade da produção nacional.
Diamantino Azevedo destacou ainda a importância do ouro como um ativo estratégico e financeiro, cada vez mais valorizado não apenas na indústria, mas também na joalharia.
Empresários do sector enfrentam resistência das comunidades locais
Os operadores do sector da mineração continuam a enfrentar dificuldades no acesso a concessões de terra, além da resistência das comunidades locais, que desconfiam das intenções das empresas e receiam que os recursos sejam explorados sem contrapartidas para a população.
Ladislau Costa, representante da Njungo Mineral, que opera na província do Zaire, explicou que as comunidades confundem a fase de prospecção com exploração e, por isso, exigem retornos imediatos, criando um ambiente de conflito com as empresas.
Já Severino Abílio, da Avia África, que está a realizar prospecção no Cunene, revelou que algumas comunidades chegam a ser hostis, por temerem que as empresas extraiam os recursos sem beneficiar as populações locais.
O mesmo sugeriu ao governo a criação de comissões de sensibilização comunitária, para esclarecer a importância da mineração e promover uma exploração sustentável.
Por sua vez, Garcia Chilundamo, do Grupo Manico Henda Lda, que opera no Huambo, afirmou que, além da resistência da população, o grande número de garimpeiros ilegais tem dificultado os trabalhos de prospecção na província.
Diante destes desafios, os operadores defendem medidas governamentais mais eficazes, que garantam um equilíbrio entre o crescimento da indústria mineira e os interesses das comunidades locais, promovendo uma mineração mais transparente e sustentável em Angola.