
A actividade de caça em Angola foi oficialmente retomada este ano, após uma suspensão de quase 18 anos, período durante o qual foram implementadas medidas para a recuperação da fauna, incluindo o repovoamento animal e a criação de condições adequadas para uma gestão sustentável da vida selvagem.
Sob o lema “Educar para uma caça consciente e selectiva, para proteger as espécies e garantir o desenvolvimento sustentável da fauna”, a temporada de caça 2025 decorre de 1 de Agosto a 31 de Dezembro, de acordo com o Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF).
Segundo o órgão ministerial, o período escolhido coincide com condições naturais e ecológicas propícias à prática da actividade, minimizando riscos à sobrevivência das espécies e contribuindo para o equilíbrio ambiental.
A cerimónia de abertura oficial da época de caça teve lugar na última sexta-feira, 1 de Agosto, na Fazenda de Pecuarização Carivo, no município da Baía Farta, província de Benguela, e foi presidida pelo secretário de Estado para as Florestas, João Bartolomeu da Cunha.
Durante o evento, o governante destacou que a retoma da actividade cumpre o estipulado no Decreto Presidencial n.º 222/18, de 25 de Outubro, que regulamenta a caça e substitui a anterior legislação colonial de 1955.
“Estão criadas as condições para uma caça mais sustentável, com impacto positivo na diversificação da economia, geração de emprego e promoção do turismo de natureza”, afirmou o secretário de Estado, acrescentando que Angola se junta assim a outros países da região Austral que beneficiam economicamente do turismo cinegético.
O novo regulamento de caça estabelece as regras para o exercício legal e responsável da actividade, com enfoque nas dimensões social, económica, ambiental e cultural.
João Bartolomeu da Cunha apelou à colaboração dos governos provinciais e da Associação dos Caçadores de Angola, no sentido de divulgar o novo quadro legal junto das comunidades e operadores do sector.
O presidente da Associação, Mário Rui Ribeiro, celebrou o momento como um marco histórico.
“É um dia memorável. Depois de anos de trabalho conjunto com o Governo, alcançámos esta vitória que reconhece o papel da caça sustentável. Vamos continuar a combater a caça furtiva, que tantos prejuízos causou à nossa fauna”, afirmou.
Por sua vez, o vice-governador de Benguela, Adilson Gonçalves, agradeceu a escolha da província para acolher o acto, sublinhando o potencial da região para o turismo de caça organizado.
Durante a cerimónia, foram entregues as primeiras licenças de caça a dez associados, incluindo ao presidente da associação, bem como certificados provisórios a fazendas de pecuarização autorizadas a exercer a caça desportiva de forma sustentável.
Processo envolveu várias instituições
A retoma da actividade cinegética foi antecedida por um extenso trabalho técnico e multissectorial, envolvendo o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), a Direcção Nacional de Florestas, a Agência Nacional para a Gestão da Região do Okavango (ANAGERO), o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) e o Ministério do Interior.
O país contou também com apoio técnico da Conservation Force, fundação norte-americana dedicada à conservação da vida selvagem, com a qual o IDF assinou um Memorando de Entendimento para o desenvolvimento da caça e gestão sustentável da fauna.