
O regresso de antigos gestores acusados de práticas discriminatórias e de má conduta à Siemens Energy Angola está a gerar forte indignação entre trabalhadores e observadores atentos à atuação da multinacional alemã no país.
Entre os nomes contestados surge o de Paulo Miranda Dias, ex-director financeiro afastado durante a pandemia, após denúncias internas de racismo e perseguição a colaboradores angolanos.
À época, fontes internas revelaram que investigações conduzidas pela Siemens Energy África do Sul motivaram a sua saída.
Hoje, com surpresa e revolta, trabalhadores confirmam que o gestor regressou à estrutura da empresa, agora através da Siemens Portugal, voltando a ter influência direta em operações no continente africano, incluindo Angola.
Para muitos, a decisão contradiz os princípios de direitos humanos e responsabilidade corporativa que a Siemens proclama publicamente.
“Como pode uma empresa global reintegrar um gestor com um histórico tão controverso? Que garantias têm os trabalhadores angolanos de que serão tratados com dignidade?”, questionam colaboradores.
A insatisfação cresceu ainda mais com relatos de que, logo no regresso, Paulo Miranda Dias terá dispensado uma funcionária angolana de 59 anos, aumentando a sensação de perseguição e insegurança dentro da empresa.
O histórico recente da Siemens Energy em Angola não ajuda a conter a polémica. Em dezembro de 2024, o diretor-geral da empresa, André Filipe Pereira Jorge, foi detido pela polícia de trânsito em Talatona, Luanda, por alegada condução sob efeito de álcool, a bordo de uma viatura oficial da multinacional.
O episódio envolveu ainda a presença de uma funcionária recém-admitida, gerando especulações e desconforto entre trabalhadores.
Embora o caso tenha sido rapidamente abafado, fontes internas garantem que a empresa preferiu punir um colaborador angolano acusado de “vazar informações” em vez de responsabilizar o dirigente envolvido.
A postura é vista como mais um exemplo do que alguns descrevem como “dois pesos e duas medidas” no tratamento de quadros nacionais e estrangeiros.
Estes episódios expõem fragilidades no compromisso ético da Siemens Energy Angola, uma empresa que opera num dos setores mais estratégicos do país, mas que acumula denúncias de racismo, assédio moral e más práticas de gestão.
Angola, que se afirma como destino privilegiado para investimento estrangeiro, continua a enfrentar o dilema entre atrair grandes multinacionais e garantir que estas respeitam princípios básicos de transparência, equidade e justiça laboral.
Trabalhadores angolanos exigem respostas claras: será que a Siemens Energy está disposta a corrigir falhas internas e a respeitar a sua força de trabalho local, ou continuará a tolerar práticas que mancham a sua reputação e a confiança pública?