
Uma rede composta por três trabalhadores do banco comercial “Standard Bank” foi recentemente desmantelada, em Luanda, pelas autoridades – através do Serviço de Investigação Criminal (SIC) – após o desvio de cerca de 140 milhões de kwanzas, nas contas de dois clientes.
Segundo as informações veiculadas pelo portal Na Mira do Crime, os valores pertencem a dois clientes do referido banco e foram subtraídos de forma criminosa.
Os três trabalhadores bancários “mafiosos” prestavam serviços na sede do Standard Bank, em Talatona, são:
De acordo com os dados, o esquema de desvios de dinheiro dos clientes do banco em causa começou a 29 de Novembro de 2022, quando Domingos Kiassungua, de forma fraudulenta, apagou os dados pessoais de um cliente do banco, depois deste ter solicitado uma transferência de 37 milhões de kwanzas para a sua conta de Portugal, com o intuito de receber cerca de 67 mil euros.
Como a oportunidade faz o ladrão, o jovem engenheiro de Nuvens decidiu alterar os dados do cliente e desviar a rota de transferência. Assim sendo, transferiu os referidos valores [37 milhões de kwanzas] para uma outra conta em Portugal, com o número: PT50.0033.4444.4555.9408.3350.5, passado em nome de Daniel Salviano Jesus Cerqueira, seu comparsa.
Feita a operação, dias depois, Daniel Cerqueira efectuou (a partir de Portugal) um levantamento 20 mil euros e fez chegar a uma terceira pessoa, de nome Paulo Lukene (agora foragido). Este, por sua vez, ordenou a sua companheira de nome Paula de Fátima Trigo, a trazer os respectivos valores para Angola e fazer chegar às mãos de Domingos Kiassungua.
Com o dinheiro (20 mil euros) em sua posse, Kiassungua – atrapalhado – adquiriu uma viatura de marca Renault, modelo Sandero, cor cinzento, com a chapa de matrícula LD-44-82-EN; um jogo de sopa (L) de cor cinzento; uma geleira de marca “Hisense”, uma arca de marca “Indemax” e um televisor de 32 polegadas.
Como o crime, às vezes, não compensa, o jovem engenheiro foi localizado e detido pelo SIC no passado dia 17 de Janeiro do ano em curso, após a formalização da denúncia.
Segundo desvio
Curiosamente, quatro dias antes da detenção de Domingos Kiassungua, isto é, no dia 13/01, o técnico de fecho diário do banco “Standard Bank”, Pedro João, em plena actividade laboral, na sede da referida instituição bancária, em Talatona, na companhia do seu colega Virgílio de Almeida, realizou de forma fraudulenta uma transferência de 103 milhões de kwanzas, para a conta bancária n.º 1002958016.
Após o desvio dos valores, Pedro João transferiu para o seu cúmplice um total de 53 milhões e 771 mil kwanzas. Este montante reflectiu na conta bancária de um cidadão que responde pelo nome de Renato Jorge Airosa de Sousa Araújo, de 22 anos, ex-funcionário da empresa UNITEL.
Com os referidos milhões, o trio transferiu 48 milhões e 771 mil kwanzas, para uma conta bancária, em nome de José Gregório Panzo, mais conhecido por “Tuga”.
A fonte primária adianta que, Pedro João e Renato Araújo foram vistos, recentemente, no bairro Mártires, em Luanda, com os 53 milhões de kwanzas, a comprar divisas no valor total de 108 mil dólares norte-americanos.
Parte dos valores foi feito pagamento de algumas dívidas, outra parte (70 mil dólares) foi encontrada em posse de Pedro João – no quarto de um hotel na Samba – quando se preparava para fugir ao Dubai.
Durante o primeiro interrogatório, Pedro João, Virgílio de Almeida – que aguardam pelo julgamento na Comarca Central de Luanda – revelaram que a operação foi facilitada por Paulo Lukene, que também era trabalhador do Standard Bank, em Talatona. Suspeita-se que este último [Lukene] esteja foragido na Holanda.
Enquanto que José Panzo – que recepcionou os 48 milhões e 771 mil kwanzas – se encontra foragido algures de Luanda, com partes dos valores.