
O engenheiro António Venâncio, declarado pré-candidato à liderança do MPLA em 2026, criticou este sábado a disparidade entre os valores atribuídos ao futebol nacional e os montantes que o Governo pretende pagar à seleção da Argentina, no âmbito das celebrações dos 50 anos de independência de Angola.
Segundo Venâncio, enquanto o campeão nacional do Girabola 2024, o Petro de Luanda, recebeu apenas 30 milhões de kwanzas como prémio pela conquista do campeonato após 30 jornadas disputadas, o Executivo prevê desembolsar cerca de 6 milhões de dólares (equivalente a 5,5 mil milhões de kwanzas) para um único jogo amigável contra a seleção argentina.
“O contraste é gritante. Uma equipa estrangeira, em apenas 90 minutos, vai arrecadar 183 vezes mais do que aquilo que uma equipa nacional recebe num ano inteiro de competição. Isso mostra por que razão a África continua a enfrentar dificuldades de desenvolvimento”, afirmou.
Venâncio defendeu que a efeméride poderia ser assinalada com um torneio quadrangular entre equipas nacionais, canalizando esses recursos para o fortalecimento do futebol local e para a valorização dos atletas angolanos.
“Se o Petro ou o 1º de Agosto recebessem 6 milhões de dólares como prémio, esse dinheiro circularia no mercado interno, dinamizando a economia e incentivando a prática do desporto no país”, sublinhou.
Para o pré-candidato, a decisão de privilegiar seleções estrangeiras em detrimento das equipas nacionais revela “uma visão pouco patriótica e pouco solidária com os próprios talentos do país”.
“O sector desportivo nacional está empobrecido e clama por uma nova visão de desenvolvimento. África só avançará quando decidir investir seriamente nas suas próprias equipas, atletas e talentos, em vez de fortalecer mercados estrangeiros com os seus recursos”, concluiu.