Arqueólogos angolanos e franceses descobrem vestígios do reino do Ndongo no Cuanza Norte
Arqueólogos angolanos e franceses descobrem vestígios do reino do Ndongo no Cuanza Norte
escavacao

Uma missão conjunta de arqueólogos angolanos e franceses revelou vestígios da antiga civilização do reino do Ndongo, datados de cerca de 600 anos, na localidade de Caculo Cabaça, comuna de São Pedro da Quilemba, município de Cambambe, província do Cuanza Norte.

A informação foi avançada nesta segunda-feira pela empresa China Gezhouba Group Company (CGGC), responsável pela construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Caculo Cabaça.

Entre os achados destacam-se ossadas humanas e potes de cerâmica, recolhidos no âmbito do Programa de Arqueologia de Resgate, iniciado em 2023 com o objectivo de estudar os aspectos socioculturais da região envolvida no projecto hidroelétrico.

As evidências, que remontam aos séculos XV a XVIII, foram localizadas em dois pontos distintos: no sítio da tomada de água e no dique de fecho.

Segundo o gestor de Responsabilidade Social da CGGC, Pascoal Álvaro, a datação dos ossos foi realizada em França, através de modernas técnicas biomédicas em laboratório forense.

As escavações, que já se encontram na oitava temporada, têm sido conduzidas por uma equipa de nove especialistas do Museu Nacional de Arqueologia, em cooperação com técnicos franceses.

Formação e valorização patrimonial

Os resultados preliminares foram apresentados no último fim de semana, durante a sessão formativa “Métodos Inovadores de Intervenção Arqueológica”, enquadrada na oitava missão arqueológica do projeto e nas celebrações do Dia Mundial do Turismo, assinalado a 27 de Setembro.

O evento reuniu 56 participantes, entre representantes do GAMEK (dono da obra), da fiscalização (AIBC), do empreiteiro geral e de subempreiteiras.

O objectivo foi reforçar as capacidades técnicas das equipas, além de promover o conhecimento e a valorização do património histórico-cultural angolano.

Um dos marcos desta missão foi a introdução da tecnologia LIDAR (Light Detection and Ranging), utilizada pela primeira vez em escavações arqueológicas em Angola.

O recurso permitiu maior precisão na identificação de estruturas subterrâneas, ampliando a eficácia na preservação de vestígios históricos.

O encontro incluiu ainda a exibição do documentário “Necrópoles da Barragem de Caculo Cabaça”, seguido de um debate interativo que possibilitou a partilha de experiências e reflexões sobre os desafios da preservação patrimonial em contextos de desenvolvimento de infraestruturas.

Conforme a nota da CGGC, estas descobertas representam uma contribuição relevante para a compreensão da história de Angola e de África, ao oferecerem novas perspetivas sobre a organização sociopolítica e cultural do reino do Ndongo.

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