Arqui-inimigo de Eugénio Laborinho assume IGAE – Ângelo Tavares era investigado por corrupção
Arqui-inimigo de Eugénio Laborinho assume IGAE - Ângelo Tavares era investigado por corrupção
Angelo e Labo

O Presidente da República, João Lourenço, nomeou, nesta quinta-feira, 29, o antigo ministro do Interior, Ângelo de Barros da Veiga Tavares, para o cargo de Inspector-Geral da Administração do Estado (IGAE), deixado pelo actual juiz conselheiro presidente do Tribunal de Contas, Domingos Gunza.

O documento refere que antes, noutro diploma, o Chefe de Estado angolano exonerou Ângelo de Barros da Veiga Tavares do cargo de consultor do Presidente da República.

A investigação

Com a patente de comissário-chefe, Ângelo Tavares foi exonerado a 24 de Julho de 2019 pelo Presidente da República, após uma série de denuncias sobre as irregularidades que havia cometido no Ministério do Interior.

Após a sua exoneração, as autoridades passaram a investigar, sem alarido, a gestão danosa cujos dados constava num relatório apresentada, na altura, pela Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE). Por conta disto, é-lhe recomendada a não sair do país, enquanto decorriam as apurações.

Durante as investigações, as autoridades analisaram a transparência sobre a compra de uma frota de viaturas de marca “Hyundai/I20”, requisitados para a Polícia Nacional e para alguns responsáveis de departamento do Serviço de Investigação Criminal.

O constrangimento causado ao antigo governante era baseado em alegações de que um dos seus filhos terá exercido o papel de mediador no negócio da compra das viaturas, precipitando insinuações de sobre-facturação.

A ideia da compra das viaturas foi uma proposta e apresentada pelo antigo comandante geral da Polícia Nacional, o comissário-chefe Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda”, com o objectivo de se realizar policiamento urbano.

Na altura, o ex-ministro reprovou a proposta, mas por detrás avançou com a compra, através da empresa “CAPROS, S.A”, dirigida por um superintendente, António Fernando Alberto.

A CAPROS, S.A é uma empresa privada fundada a 14 de Junho de 2010, pelo comissário-chefe José Alexandre Manuel Canelas.

Ângelo Tavares foi um dos ministros do consulado do finado ex-Presidente José Eduardo dos Santos, que sobreviveu ao novo governo por imposição do antigo chefe da Casa de Segurança da Presidência, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, após as eleições gerais de 2017.

Em Novembro daquele ano, João Lourenço lhe tinha dado 60 dias para mostrar trabalho, porém, sobreviveu durante dois anos por influencia atribuídas a Edeltrudes Costa, seu amigo e director do gabinete do Presidente da República.

Apesar de ter sido assegurado por Edeltrudes Costa, a situação do ex-ministro deixou de ser sustentável quando afastou a directora do Hospital Prisão de São Paulo, Ivone Bragança de Vasconcelos Otuo, por ter prestado assistência médica a um detido doente.

Homem da logística

Depois de ter ocupado o cargo a ministro do interior, Ângelo de Barros Veiga Tavares retirou do Comando Geral da Polícia Nacional, a Direção Nacional de Investigação Criminal e a rebaptizou por “Serviço de Investigação Criminal”.

Chamou também para si, o controlo do Sistema de Fornecimento de Logística da PN, deixando o Comando geral da PN num quadro de limitações.

No início de 2014, Tavares teria se incompatibilizado e afastado, sem previa comunicação, o então Director Nacional da logística, comissário Vasco Arnaldo Guimarães de Castro “Maló” que vinha acumulando as mesmas funções a nível do Ministério do Interior.

O comissário “Maló” era suspeito de ser a figura que estaria a instruir ao então comandante geral da PN, Ambrósio de Lemos, para que o sistema de compras da logística da corporação voltasse ao formato do passado, ganhando a sua própria autonomia.

Um ano depois surgiram denuncias de que o então ministro do Interior, estaria a enveredar por práticas de “cabritismo”, usando o seu cargo para fazer negócios consigo próprio.

Nas alegações, nunca contestadas pelo mesmo, chegou a ser citada a empresa “JUCAPA – Comércios, Industria, Importações e Exportações, Lda.” que tem como sócios, Pedro Mbanzikisa Nunes M’Bidigani, Carlos Alberto Mendonça Rodrigues (seu conterrâneo do Lobito) e Júlio Ângelo da Cruz Correia, apresentado como “primo-irmão do ex-ministro”.

Até, o ano de 2014, o Ministério do interior recebia do OGE perto de 75 milhões de dólares, por trimestre, para o abastecimento da logística. O dossier era gerido pelo seu homem de confiança na altura, o Secretário de Estado, Hermenegildo José Félix.

Empresas como “Mar e Sol” de Dirce dos Santos (filha do ex-presidente da Assembleia Nacional), Pomobel (ligada ao comissário-chefe Ambrósio de Lemos), e Camaruf (ligada à alguns membros do Governo) tinham prioridade no fornecimento de logística a este ministério.

Porém, com a chegada da crise financeira (em 2014), o Executivo viu-se obrigado a diminuir as verbas para a alimentação dos órgãos de segurança, para 45 milhões de dólares por trimestre, o que levou o então ministro Ângelo Tavares a orientar a sua direcção de logística a rescindir contrato com cerca de seis empresas que forneciam o Ministério.

Ficaram apenas na lista de fornecedoras empresas “JUCAPA” e “KIDJ”, que forneciam apenas os postos fronteiriços (da Polícia de Guarda Fronteiras). A empresa KIDJ é ligada a Catarino dos Santos e um coronel das FAA identificado por “Geovete”.

Ângelo Tavares foi exonerado em Julho de 2019, e para o seu azar foi substituído pelo actual ministro do Interior, general César Laborinho. Os dois são tidos como não tendo boas relações, visto que o primeiro teria hostilizado o segundo ao tempo em que um era ministro e outro Secretário do Estado. Quando Laborinho deixou o Ministério (para governar a província de Cabinda), circulavam informações de que os seus homens teriam sido hostilizados e afastados.

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