
Ana Paula dos Santos, antiga primeira dama da República, está a ser acusada – no seio familiar – de manifestar a intenção de usurpar a residência oficial do falecido ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, localizada no bairro Miramar, em Luanda.
Segundo as informações, veiculadas pelo Club-K, os membros da família do malogrado contestam a intenção desta [Ana Paula dos Santos], alegando que o malogrado e a suposta viúva, se casaram em regime de “separação de bens” e que os herdeiros legítimos são os filhos e não ela.
Ana Paula Cristóvão Lemos dos Santos casou-se – a 17 de Maio de 1991 – com o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, com quem teve quatro filhos: Eduane Danilo Lemos dos Santos (nascido em 29 de Setembro de 1991), Joseana Lemos dos Santos (nascida em 5 de Abril de 1995), Eduardo Breno Lemos dos Santos (nascido 2 de Outubro de 1998) e Houston Lulendo Lemos dos Santos (nascido 15 de Novembro de 2001).
Enquanto esteve casada com o ex-Chefe do Estado, Ana não foi a tempo de partilhar o teto da residência oficial. Pois, tão logo que José Eduardo dos Santos deixou a presidência, a 26 de Setembro de 2017, ela [Ana Paula dos Santos] o abandonou e “cada um seguiu o seu próprio rumo”.
O ex-Presidente mudou-se para aquela que seria a residência oficial do casal (com os filhos) e a ex-primeira dama da República optou por viver no condomínio Cajú, localizado no município de Talatona, em Luanda, tendo mais tarde se mudado para um apartamento no edifício Solar de Alvalade, bairro com o mesmo nome, com a filha Joseane.
O ex-casal presidencial voltou a se reencontrar em Barcelona, Reino de Espanha, após mais de quatro anos separados. Curiosamente, foi nas últimas semanas de vida de José Eduardo dos Santos.
De regresso a Barcelona, na sequência da morte de José Eduardo dos Santos e a disputa judicial dos restos mortais, a suposta viúva fixou-se na residência oficial do malogrado por causa do funeral, tendo aí ficado até a presente data.
Até então, a permanência de Ana Paula dos Santos na residência não era motivo de incômodo, uma vez que a lei (o Código da Família) é clara quanto a partilha dos bens do de cujus. Porém, o assunto passou a ser visto com desconfianças depois – a 02 de Setembro do corrente – de Ana Paula dos Santos ter tratado o Assento de Óbito n.º 140 (Processo/1752) do falecido e na presença do conservador Evandro Divaldo dos Santos omitiu o regime do casamento, declarando que “o falecido não deixou herdeiros sujeito à jurisdição orfanológica, deixou bens e não deixou testamento”.
Depois de dois meses, isto é, no primeiro dia de Novembro, os filhos de José Eduardo dos Santos recorreram para retificação do Assento de Óbito na qual foi averbado a correção da natureza do casamento, em que se pode ler “o regime do casamento é de separação de bens conforme o casamento”.
A retificação foi igualmente feita na presença do mesmo conservador Evandro dos Santos.
José Eduardo dos Santos deixou oito filhos que são publicamente conhecidos como seus únicos rebentos. No dia do seu óbito apareceram na residência no Miramar, outros quatros a chorar à volta do caixão, declarando-se filhos não registados do malogrado ex-Presidente.
Dos quatros constavam a cidadã de origem congolesa, Ngutuika Josefa Matias, Walter João Bernardo, Helga Santos e outro de nome impreciso.