Artistas denunciam exclusão nas condecorações dos 50 anos da Independência
Artistas denunciam exclusão nas condecorações dos 50 anos da Independência
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Vários artistas e agentes culturais angolanos manifestam descontentamento com o que classificam de “escolha selectiva” do Ministério da Cultura na lista de personalidades a serem condecoradas no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional.

As críticas apontam para um alegado favorecimento de figuras “da preferência” do Ministério, em detrimento de artistas que, segundo as associações culturais, deram contributos históricos e determinantes para o desenvolvimento das artes e da cultura em Angola.

Fontes próximas das associações afirmam que as listas enviadas pelas organizações da sociedade civil incluíam nomes de várias províncias, mas que o Ministério da Cultura “fez a sua peneira”, excluindo vários candidatos.

Contactada, a porta-voz do Ministério da Cultura, Débora Matoso, escusou-se a comentar o assunto.

O descontentamento mais acentuado vem da província do Cuanza-Sul, onde o jurista e docente universitário Frederico Batalha lamentou a ausência de “figuras locais de grande mérito” nas listas dos condecorados.

“Desde os primórdios da independência, muitos artistas do Cuanza-Sul se destacaram nas suas áreas, com feitos que ultrapassaram o âmbito provincial. É preocupante não ver esses nomes nas listas divulgadas pelo Presidente da República”, afirmou.

O académico sublinha que o processo simbólico de reconhecimento dos “bons filhos da pátria” parece estar a perder o seu propósito.

“Alguns artistas há muito mereciam ser distinguidos, por mérito próprio e pela relevância do seu contributo cultural”, acrescentou.

Entre os nomes recordados pelos agentes culturais está Benjamim Rui Baptista ‘Titica’ (a título póstumo), antigo locutor da Rádio Clube e da Rádio Cuanza-Sul, lembrado pelo seu papel na promoção de eventos culturais e desportivos e pelo incentivo à música e ao associativismo comunitário.

Outro nome destacado é o de Virgulino Rui Gonçalves ‘VG’ (também a título póstumo), cidadão cabo-verdiano radicado no Sumbe, que se tornou uma das figuras mais dinâmicas da vida cultural local, fundando espaços emblemáticos como a discoteca Tira a Mão, no bairro da Assaca, e a boate Palmar, na Kissala. Foi ainda responsável por trazer ao público artistas como David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes, Tony do Sumbe, Dina Santos e Dionísio Rocha.

Também é citado Armando Rosa (‘Cristo’), músico, compositor, ator e ativista social, cofundador do agrupamento Os Keves e fundador da Associação Social, Cultural e Desportiva da Assaca, que apoia crianças e comunidades vulneráveis no Sumbe.

Em Luanda, várias figuras do meio artístico classificam como “erro” a exclusão de personalidades como António de Oliveira (Alain Delon), Avelino Neto (Dikotá), Santos Cardoso (a título póstumo), Lourenço do grupo Julu (a título póstumo), Anacleta Pereira, Norberto Matan’Ladi (a título póstumo), Josefa Chaves, Maria João Ganga, Victória Soares (Tia Totonha), Correia Domingos (Lobão), Roberto Figueira, Mandela, Salvador Freire, Darra Mingo (a título póstumo), Juvente Kamba Buku (a título póstumo), Sérgio de Oliveira, o Animart do Cazenga, o Grupo Experimental de Teatro e o Grupo Oásis, entre outros.

Para os críticos, a exclusão dessas figuras “demonstra falta de representatividade e de reconhecimento da diversidade cultural angolana”. Defendem, por isso, que o processo de selecção dos homenageados deve ser “transparente, inclusivo e livre de influências políticas ou pessoais”.

com/Pungo a Ndogo

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