Artur Queiroz denuncia Edições Novembro por dívida salarial de 10 anos
Artur Queiroz denuncia Edições Novembro por dívida salarial de 10 anos
ministro oliveira

O veterano jornalista luso-angolano Artur Orlando Teixeira Queiroz, de 82 anos, acusou ontem a administração da empresa pública Edições Novembro de o manter sem o pagamento dos seus ordenados há mais de uma década.

A acusação foi feita num artigo de opinião publicado no blog Página Global, plataforma onde o jornalista assina regularmente textos sobre política e sociedade.

No seu texto, Queiroz aponta directamente os nomes dos actuais administradores da empresa — entre os quais Drumond Jaime (presidente do Conselho de Administração), Cândido Bessa, António Samuel Eduardo, Joaquim Pedro Zua Quicuca, Eunice Carla Teixeira Moreno, Guilhermino Alberto e Victória Quintas — acusando-os de agir com desonestidade ao não lhe pagarem os valores devidos.

Vai mais longe ao considerar que, ao não honrarem os compromissos salariais, “fazem figura de caloteiros e ladrões do pão das crianças”, referindo-se à sua família e às crianças do Lar Kuzola.

“A condição de caloteiros e ladrões do pão de crianças é incompatível com a profissão de jornalista”, escreveu Queiroz, dirigindo duras críticas também à tutela da empresa e ao Titular do Poder Executivo, acusando-os de conivência com a situação.

O jornalista refere que aguardou pacientemente por uma solução durante uma década, mas que agora decidiu tornar o caso público por se sentir traído e injustiçado. “Esperei dez anos. Não espero mais. Não pactuo mais com caloteiros”, declarou.

Em 2015, o portal Club-K noticiou que Artur Queiroz, à época assessor do então presidente do Conselho de Administração da Edições Novembro, José Ribeiro, recebia um salário mensal de 11 mil dólares, com várias despesas cobertas, incluindo transporte, comunicação, segurança privada, empregadas domésticas, assistência médica em Portugal e viagens regulares entre Luanda e Lisboa.

Antes de ser exonerado, José Ribeiro teria proposto a renovação do contrato de Queiroz por tempo indeterminado.

O Imparcial Press sabe que, nos últimos anos, a Edições Novembro — proprietária dos jornais Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, Economia & Finanças e Cultura & Artes — enfrenta sérias dificuldades financeiras, com dívidas acumuladas e denúncias de má gestão, num cenário que parece agravar-se dia após dia.

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