As tarifas de Trump e o impacto global no comércio – Sebastião Muanha
As tarifas de Trump e o impacto global no comércio - Sebastião Muanha
Trump

A política comercial do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baseada na imposição de tarifas a diversos parceiros comerciais, incluindo a União Europeia (UE), o Reino Unido, o México, o Canadá e a China, desencadeou preocupações significativas no cenário económico global.

O protecionismo adotado por Trump, justificado como uma estratégia para reduzir déficits comerciais e fortalecer a indústria americana, tem o potencial de gerar consequências adversas, ampliando as tensões comerciais e prejudicando o crescimento económico mundial.

Impacto na União Europeia

A decisão de Trump de aplicar tarifas sobre produtos europeus ameaça setores estratégicos, como o Automotivo e o Agrícola.

A UE, sendo um dos principais parceiros comerciais dos EUA, não deixaria de responder com medidas retaliatórias, criando um ciclo de restrições comerciais que impactaria empresas e consumidores de ambos os lados do Atlântico.

A história já demonstrou que guerras comerciais reduzem investimentos e prejudicam o crescimento económico global, além de gerar incerteza nos mercados.

Incertezas para o Reino Unido

A relação comercial entre os EUA e o Reino Unido, especialmente no contexto pós-Brexit, tornou-se um elemento sensível nas negociações globais.

A ameaça de tarifas americanas sobre produtos britânicos adiciona complexidade às já desafiadoras negociações comerciais do Reino Unido, que busca consolidar a sua posição no comércio internacional após a saída da UE.

A possibilidade de tarifas dificulta a estabilidade económica e pode afectar indústrias-chave, como a farmacêutica e a aeroespacial.

Ecos na América do Norte

A imposição de tarifas de 25% sobre importações do México e do Canadá representa um risco directo para a economia americana, dado o alto nível de integração das cadeias de suprimento na América do Norte.

O Acordo os Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o NAFTA, foi concebido para fortalecer a cooperação comercial entre os três países, e medidas protecionistas unilaterais podem comprometer os benefícios do tratado.

Além disso, tarifas sobre produtos essenciais, como automóveis e aço, resultam em aumento de custos para consumidores e empresas americanas, reduzindo a competitividade da indústria nacional.

O caso da China: O epicentro da guerra comercial

O embate comercial entre os EUA e a China foi uma das principais disputas da política económica de Trump no seu primeiro mandato.

A imposição de tarifas sobre centenas de biliões de dólares em produtos chineses visava corrigir o déficit comercial e conter o avanço tecnológico da China, especialmente no setor de Tecnologia.

No entanto, essa estratégia teve efeitos colaterais significativos:

  • Impacto sobre a economia americana: muitas empresas americanas dependem de insumos chineses, e as tarifas aumentaram os seus custos de produção. Além disso, a retaliação da China afectou exportações americanas essenciais, como a soja e produtos manufacturados.

  • Desaceleração do crescimento global: A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo gerou incertezas nos mercados financeiros, reduzindo investimentos e afetando a confiança das empresas.

  • Reconfiguração das cadeias de suprimento: muitas empresas começaram a buscar alternativas à China, diversificando as suas fontes de produção para países como Vietname e Índia, o que reconfigurou o comércio internacional.

Os riscos do proteccionismo

A política tarifária de Trump, embora justificada como um meio de proteger a economia americana, demonstrou ser uma abordagem arriscada, com impactos adversos tanto para os Estados Unidos quanto para seus parceiros comerciais.

A história económica mostra que o proteccionismo raramente traz benefícios sustentáveis e, ao contrário, tende a desencadear retaliações que prejudicam todas as partes envolvidas.

Num mundo globalizado, o comércio internacional depende de cooperação e regras claras para garantir o crescimento económico e a estabilidade.

Em vez de medidas unilaterais que fomentam disputas comerciais, é essencial que os líderes globais busquem soluções negociadas que promovam um comércio justo e equilibrado, beneficiando todas as nações envolvidas.

*Economista

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