Assassinato? Não me parece – Vasco da Gama
Assassinato? Não me parece – Vasco da Gama
Vasco

Como sabem, tenho formação média em ciências policiais e criminais, para além da formação superior em direito, sem olvidar os cursos técnicos e de capacitação policial e, felizmente, detenho uma boa base de criminalística, criminologia, informações policiais, trabalho secreto e, como é óbvio, de técnica e táctica das forças de segurança que me permitem compreender vários cenários do crime.

Sobre o caso em mote importa dizer que a tentativa de assassinato que se fala, em que foi vítima um deputado a Assembleia Nacional, cujas imagens circulam e o texto abarrota os grupos do WhatsApp tem elementos que, quem como eu, que minimamente entende os “modus operandi” dos malfeitores deixa brechas que me fazem pensar num cenário irreal e com aproveitamentos que, por sinal, já jorra no sangue de alguns compatriotas, com os seguintes detalhes:

  1. Nenhum malfeitor que queira assassinar alguém vai ao local do crime sem o mínimo de informações cruciais. Para saber, por exemplo, a hora da actuação, com quem estará, como estará e o tipo de roupa, se for na rua.

No caso do deputado Carlos Xavier Lucas, o cenário mostra que os assassinos que o tentaram matar ignoraram isto… Só pode ser mesmo ignorância!

Nem mesmo sabiam com quem o Deputado estava. Não sabiam, por exemplo, que ele não estava ao volante, e só isto justificava que o disparo fosse feito na porta do condutor que mesmo que o atingisse não mataria o Deputado, pelo menos de imediato, porque passaria, primeiro, em muitas barreiras, nomeadamente a chaparia, o vidro, o corpo do motorista e só depois chegaria ao peito ou cabeça do representante do povo de Malanje e, com isto, reduzir a possibilidade de atingir o resultado e em tempo pretendido.

  1. Depois do disparo, que pela forma como o condutor retirou a carrinha para embater contra um outro mostrava aos assassinos que, distarte, o condutor do veículo da Assembleia – que para eles era o Deputado – não morreu.

Sobreviveu do disparo e continuou a conduzir e mesmo assim os assassinos nada mais fizeram do que fugir do local. Portanto, desinteressados com o resultado, enquanto elemento importante do crime, nem mesmo se importaram a confirmar se mataram ou não!

Estes dois detalhes, para os leigos, podem parecer ou valer pouco, mas, para mim, são significativos para se compreender que a tese da tentativa de assassinato pode ter sido avançada com o objectivo único: protagonismo político!

Há poucas, se não nenhuma, evidência técnica que, sob ponto de vista investigativo e criminalístico seja capaz de sustentar a tese de assassinato. Há, de certeza, outro motivo dos disparos que, sem antes serem esclarecidos avançou para a perspectiva política.

Contudo, tarde ou cedo, e sem influência política, saberemos do que, na prática e com a verdade, aconteceu…

Aquele abraço

*Jornalista e oficial da Polícia Nacional

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