
Basta que se convoque um Congresso e, pior se com múltiplas candidaturas, para se comprovar até onde, como e porquê as coisas vão tão mal no seio da UNITA, a julgar pela quantidade de “roupa suja” que se lava fora das hostes partidárias, pelo nível de intolerância entre os maninhos, com a divisão entre os “radicais”, o “movimento de resgate” e pela aparente despreparação para assumir grandes responsabilidades nesse país.
É assim, afinal???
Não que as múltiplas candidaturas sejam um mal em si, muito menos que a UNITA não mereça chegar ao poder, nada disso, apenas algumas observações que qualquer angolano, militante ou mero cidadão, não deixaria de fazer nesta altura em que se está na recta final para a efectivação do XIV Congresso Ordinário da UNITA para a eleição do futuro presidente e revisão dos estatutos e do programa geral do partido, que se realiza de 28 a 30 de Novembro e com muitas makas.
Escrevi em tempos que a candidatura de Rafael Massanga Savimbi era precipitada e intempestiva, uma realidade que começa a ganhar consistência por várias razões, sendo uma delas a nítida divisão que essa candidatura trouxe no seio do partido, os ataques pessoais e grupos entre as alas que representam os dois lados (Massanga Savimbi e Costa Júnior), a intolerância política e as interrogações que se levantam.
Até o militante mais consequente da UNITA está de boca aberta, levando os militantes do MPLA a rirem-se de tamanho amadorismo, falta de “savoir-faire” entre os políticos no seio da UNITA na hora de realização de um Congresso e os demais angolanos a levantarem questões como as seguintes: é tudo culpa do MPLA ou há também muita desorganização, desafectos e ajustes de contas entre as alas na UNITA? Como será se amanhã chegarem ao poder?
Até parece um mal que veio para bem no sentido de se conhecerem melhor as makas antigas ao ponto do líder fundador, a essa altura, estar a contorcer-se na tumba, dizendo “esse não é o partido que fundei”.
Quando a UNITA devia cerrar fileiras em torno de ACJ para 2027, ocorrem, em alguns grupos e com vazamentos para as redes sociais, acusações, algumas gravíssimas envolvendo a actual direcção, sobre desvio dos fundos do partido, sem prestação de contas até hoje, incluindo suposta negociação e apropriação de patrimónios partidários.
-Diz-se que a Rádio Despertar está colocada em nome de uma empresa privada associada às pessoas na actual direcção do partido;
-Alega-se que a sede da Presidência na Maianga está registada em nome pessoal, quando seria suposto estar em nome do partido;
-Fala-se em utilização dos fundos do Grupo Parlamentar da UNITA para supostos fins pessoais; etc.etc.etc.
Mas só agora é que essa “roupa suja” está a vir cá para fora, numa altura em que se aproxima o XIV Congresso?
Provavelmente, se a candidatura de Rafael Massanga Savimbi não fosse uma realidade, se soubessem cerrar fileiras em torno de ACJ e, mais importante, se a UNITA fosse capaz de promover um debate interno, abrangente, inclusivo sobre todos os seus problemas para transformar a vida do partido num verdadeiro livro aberto e, com isso, evitarem-se esses aproveitamentos que ocorrem em véspera dos Congressos, toda essa roupa não viria ser lavada cá fora.
Não me venham com as desculpas de que o MPLA é que é culpado de tudo isso, porque, mesmo que tenha alguma, o impacto seria nulo se o Galo Negro estivesse verdadeiramente unido.
É muita maka levantada que não vai morrer com o Congresso e que, acreditem, até o militante mãos consequente da UNITA está hoje de boca aberta.
É assim afinal???
*Jornalista