Atletas exigem pagamento de dívidas à Federação Angolana de Tiro e ameaçam levar o caso ao COI e à FIFA
Atletas exigem pagamento de dívidas à Federação Angolana de Tiro e ameaçam levar o caso ao COI e à FIFA
FAT

Um grupo de atletas angolanos de tiro aos pratos divulgou, esta semana, uma carta aberta em que denuncia o que considera ser uma “situação vergonhosa de abandono, mentira e falta de respeito” por parte da Federação Angolana de Tiro, do Clube 1.º de Agosto e do próprio Ministério da Juventude e Desportos.

Na nota, os signatários recordam que, em 2017, Angola conquistou uma medalha de bronze por equipas no Campeonato Africano de Tiro, realizado no Egipto, um feito histórico, mas marcado pela ausência total de apoio institucional.

“Os atletas tiveram de pagar do próprio bolso todas as despesas, desde passagens aéreas à alimentação”, refere o documento enviado à redacção do Imparcial Press.

Desde então, passaram-se oito anos sem qualquer reconhecimento, pagamento ou pronunciamento oficial.

“A única resposta da Federação é: ‘aguardem’. Mas aguardar até quando? Até que se apague da memória o esforço, o sacrifício e a dedicação de quem ergueu a bandeira nacional?”, questionam os atletas.

O documento critica ainda o silêncio do Ministério da Juventude e Desportos, que em 2024 declarou publicamente ter liquidado todas as dívidas com atletas.

“Isso é uma mentira descarada”, acusam, garantindo que muitos continuam sem receber, nomeadamente os do 1.º de Agosto, a quem o clube deve valores desde Novembro de 2021.

A indignação subiu de tom com a notícia de que a Federação Angolana de Tiro prepara-se para organizar uma competição internacional em Angola, sem ter resolvido pendências internas.

“Como se pode receber o mundo desportivo em Angola enquanto se enterra e se esquece a verdade dos próprios atletas nacionais? Isso é a mais pura hipocrisia!”, denunciam.

Face ao que consideram ser um abandono institucional, os atletas anunciaram a intenção de levar a denúncia a organismos internacionais, incluindo a Federação Internacional de Tiro, a Federação Africana de Tiro, o Comité Olímpico Internacional e até a FIFA, “para expor a mentira, o desprezo e a exploração que marcam o desporto em Angola”.

A carta termina com exigências concretas: pronunciamento público da Federação, pagamento imediato das dívidas pelo 1.º de Agosto, transparência do Ministério da Juventude e Desportos e pressão das instâncias internacionais para que Angola respeite os seus atletas.

“Os atletas do tiro não lutaram apenas por si, lutaram por Angola. Eles vestiram a camisola nacional, ergueram a bandeira no estrangeiro e foram esquecidos pelo próprio país. Isso é inaceitável e uma mancha na história do desporto nacional”, conclui o documento.

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