Auditoria da KPMG Angola à TAAG revela prejuízo líquido de 154 milhões de dólares
Auditoria da KPMG Angola à TAAG revela prejuízo líquido de 154 milhões de dólares
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A TAAG – Linhas Aéreas de Angola encerrou o exercício de 2024 com um resultado líquido negativo de 134.212.063.458 kwanzas (equivalente a cerca de 154 milhões de dólares norte-americanos, segundo a taxa média de câmbio do kwanza face ao dólar em 2024), aprofundando a sua situação financeira frágil e mantendo capitais próprios negativos, segundo o relatório do auditor independente da KPMG Angola, que levanta ainda reservas quanto à fiabilidade de algumas rubricas contabilísticas e à continuidade da empresa.

Segundo o documento, datado de 7 de Agosto de 2025, assinado pela perita contabilista Maria Inês Rebelo Filipe, em representação da KPMG Angola – Audit, Tax, Advisory, S.A., a que o Imparcial Press teve acesso, as demonstrações financeiras da companhia aérea estatal referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2024 evidenciam um total de activos de 815.087.366.521 kwanzas e capitais próprios negativos de 21.436.150.761 kwanzas, um sinal claro de persistente desequilíbrio financeiro.

A KPMG emitiu uma “opinião com reservas”, apontando divergências significativas na rubrica de existências, incluindo diferenças entre quantidades registadas contabilisticamente e aquelas inventariadas fisicamente, bem como inconsistências nos valores unitários usados na valorização de materiais.

O auditor refere igualmente não ter obtido informação detalhada que sustentasse existências em trânsito no montante de 19,4 mil milhões de kwanzas, o que impossibilitou a obtenção de prova de auditoria suficiente e apropriada sobre o valor global de 38,1 mil milhões de kwanzas apresentado em existências, bem como sobre os impactos no custo das mercadorias vendidas e nos resultados não operacionais.

Apesar destas limitações relevantes, a KPMG considera que, “excepto quanto aos possíveis efeitos” das matérias referidas, as demonstrações financeiras apresentam de forma apropriada, em todos os aspectos materiais, a posição financeira, o desempenho e os fluxos de caixa da TAAG em 2024, de acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites em Angola.

O relatório chama ainda a atenção para uma “incerteza material relacionada com a continuidade”, sublinhando que, além dos capitais próprios negativos e do prejuízo de 134,2 mil milhões de kwanzas, o passivo corrente da empresa excede o activo corrente em 181,1 mil milhões de kwanzas.

De acordo com a KPMG, estas condições colocam a TAAG sob os requisitos do artigo 37.º da Lei das Sociedades Comerciais e indicam que existem dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia em manter-se em funcionamento, num contexto em que continua a depender do suporte do accionista Estado.

A firma de auditoria esclarece, no entanto, que a sua opinião não é modificada em relação a esta matéria, apesar da gravidade dos indicadores financeiros apresentados.

As contas de 2023, incluídas para efeitos comparativos, tinham sido auditadas por outro perito contabilista, que emitiu um relatório sem reservas e com ênfases, datado de 19 de Abril de 2024, o que contrasta com o agravamento agora verificado em 2024.

A KPMG foi contratada apenas em 23 de Outubro de 2024 para proceder à auditoria das contas de 2024, num exercício marcado por fragilidades de controlo interno e deficiências na gestão de inventários.

No relatório, é ainda recordado que a responsabilidade pela preparação das demonstrações financeiras, pela adopção de políticas contabilísticas adequadas e pela avaliação da capacidade de continuidade da empresa cabe ao órgão de gestão da TAAG, enquanto ao órgão de fiscalização compete a supervisão do processo de preparação e divulgação da informação financeira.

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