
A Mundial Seguros, administrada por Cláudio Pinheiro, enfrenta sérias críticas após a auditoria independente às contas de 2024 revelar deficiências estruturais na gestão financeira da seguradora, incluindo a ausência de avaliações atuariais e a inexistência de registos históricos que comprovem a suficiência das provisões técnicas.
De acordo com o relatório elaborado pela Ernst & Young, persistem inconsistências significativas nos registos contabilísticos, nomeadamente nas rubricas “prémios em cobrança”, “devedores” e “credores”, cuja fiabilidade é comprometida pela ausência de documentação de suporte.
A seguradora também não dispõe de inventário técnico de sinistros pendentes devidamente reconciliado, o que impede uma análise rigorosa da sua situação financeira real.
As reservas levantadas pela auditoria em 2024 – duas no total – inserem-se num contexto de continuidade de irregularidades, tendo sido identificadas cinco reservas no exercício anterior.
A Ernst & Young destaca que, este ano, não foi possível obter confirmação externa para uma parte substancial dos saldos do balanço, afetando a credibilidade dos números reportados.
Em causa estão montantes expressivos, como os prémios em cobrança, que ascendem a 557.783.252 kwanzas (face a 166.327.031 kwanzas em 2023), e os devedores, que totalizam 1.844.408.640 kwanzas (contra 1.612.138.622 kwanzas no ano anterior).
Do lado do passivo, os credores representam 1.091.716.569 kwanzas, uma queda acentuada face aos 3.372.440.870 kwanzas registados em 2023.
A auditora salienta que a Mundial Seguros, cuja estrutura accionista inclui o público Banco de Poupança e Crédito (BPC), “não disponibilizou suportes documentais suficientes nem reconciliações adequadas que permitissem aferir a natureza e a razoabilidade dos saldos”, impossibilitando conclusões sólidas sobre a recuperabilidade de activos e exigibilidade de responsabilidades.
Além disso, foram identificadas limitações relevantes nas provisões de ajustamento de recibos por cobrar e cobranças duvidosas, com valores de 136.850.704 kwanzas e 1.382.482.218 kwanzas, respectivamente.
A auditoria chama ainda a atenção para potenciais distorções decorrentes da reavaliação cambial de transacções em moeda estrangeira, com impacto directo nas rubricas de ganhos e perdas, e no cálculo do imposto sobre o rendimento do exercício.
Estas conclusões reforçam a necessidade urgente de uma reestruturação profunda nos procedimentos internos da seguradora, não só para garantir conformidade regulatória e fiabilidade contabilística, mas também para assegurar a confiança do mercado num sector sensível como o dos seguros.