
Passados quase cinco meses desde que circularam nas redes sociais vídeos íntimos de João de Almeida Azevedo Martins, conhecido politicamente por Jú Martins, mandatário de João Lourenço, a Procuradoria-Geral da República (PGR) “fechou-se em copas”, ou seja, nem tuge nem muge.
Diferentemente de outros casos em que as autoridades angolanas – sobretudo o Serviço de Investigação Criminal – detiveram os autores, o secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais do MPLA continua solto e leve, como se nada tivesse acontecido.
Além das autoridades angolanas, a Assembleia Nacional também não se pronunciou. Nem o próprio MPLA nem o seu braço feminino, a Organização da Mulher Angolana (OMA), se pronunciaram sobre o caso, apesar de as imagens em questão envolverem mulheres que surgem nos vídeos em momentos íntimos com o também deputado à Assembleia Nacional, Jú Martins.
De salientar que, em Maio último, circularam nas redes sociais cerca de cinco vídeos íntimos de Jú Martins, que provocaram forte polémica após a divulgação de imagens gravadas num gabinete da antiga sede nacional do MPLA, em Luanda.
As gravações, que circulam amplamente em plataformas digitais e grupos de WhatsApp, mostram o mandatário da recandidatura de João Lourenço à presidência do MPLA, no congresso ordinário de Dezembro, em momentos íntimos com várias jovens mulheres, em diferentes ocasiões.
Um dos vídeos, com mais de 11 minutos, mostra cenas de forte intimidade entre o dirigente e uma jovem mulher, enquanto uma segunda gravação, com cerca de quatro minutos, envolve outra jovem num gabinete semelhante ao primeiro.
A divulgação dos vídeos desencadeou uma avalanche de reacções nas redes sociais, sobretudo devido ao facto de as imagens terem sido captadas em instalações institucionais ligadas ao partido no poder.
Entre os comentários mais partilhados está o da empresária e antiga deputada Tchizé dos Santos, que considerou a situação “grave”. “Gabinetes institucionais não são lugares apropriados para este tipo de actividades”, reagiu Tchizé dos Santos nas redes sociais, defendendo na altura a abertura de um inquérito interno para apurar responsabilidades.
A antiga deputada questionou igualmente as condições de segurança e privacidade nos gabinetes institucionais, sublinhando que também deve ser investigada a eventual instalação de câmaras nos espaços onde as imagens terão sido captadas.
Nas redes sociais, vários utilizadores passaram a comparar Jú Martins ao mediático caso envolvendo Baltasar Ebang Engonga, figura ligada ao regime da Guiné Equatorial, cujos vídeos íntimos também provocaram escândalo público nos últimos anos.