
O jornalista angolano Ilídio Manuel foi ouvido esta segunda-feira, 30, em Luanda, na condição de arguido, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), no âmbito de um processo em que é acusado de alegadas ameaças de morte dirigidas ao comentador da TV Zimbo Bali Chionga.
Segundo Ilídio Manuel, durante a audição foi-lhe comunicado que o processo resulta de uma participação apresentada por Bali Chionga, que o acusa, juntamente com outras três pessoas, de ter proferido, em 2022, alegadas ameaças de morte por escrito, relacionadas com posições assumidas pelo comentador no programa “Revista Zimbo”.
De acordo com o jornalista, além do seu nome, o processo inclui também o jornalista Graça Campos e duas outras pessoas identificadas como Joana Clementina e Capela Dunguindi.
Ilídio Manuel negou “categoricamente” qualquer envolvimento nas alegadas ameaças, sustentando que nunca escreveu ou difundiu mensagens com esse teor, seja nas redes sociais, em plataformas digitais ou em comunicações privadas.
“Neguei categoricamente que alguma vez o tivesse feito”, afirmou o jornalista, acrescentando que sempre pautou a sua intervenção pública por uma postura “pacífica, urbana e didáctica”.
O jornalista disse ainda ter sido informado de que o Ministério Público decidiu mantê-lo na condição de arguido, embora, segundo refere, sem aplicação de qualquer medida de coacção.
O caso surge dias depois de Ilídio Manuel ter denunciado publicamente ter sido surpreendido, na passada quarta-feira, com a sua constituição como arguido, quando se deslocou ao SIC/Luanda para prestar declarações noutro processo, no qual figura como queixoso.
Esse segundo processo foi movido pelo próprio jornalista há mais de um mês contra os comentadores da TV Zimbo Bali Chionga e Lindo Bernardo Tito, por calúnia e difamação.
Na ocasião, Ilídio Manuel considerou “surreal” a forma como foi confrontado com a existência do processo em que agora figura como arguido, afirmando ter sido informado de que o SIC o procurava “há quatro anos”, sem que, segundo a sua versão, tivesse recebido notificações regulares ou formais ao longo desse período.
O jornalista questiona ainda a ausência de elementos probatórios que sustentem a acusação, afirmando que, durante a audição desta segunda-feira, não lhe foram exibidas provas materiais das alegadas ameaças.
Apesar disso, Ilídio Manuel referiu que foi tratado “com lisura e respeito” pelo investigador criminal que conduziu o interrogatório, identificado como Edvaldo Oliveira.