
No Centro Social Onzo Yetu falta de tudo um pouco. Localizado no bairro Social, em Caxito, província do Bengo, a instituição recebe crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade.
O supervisor do centro, Fernando Coelho, avançou que a maioria dos acolhidos não sabe explicar correctamente a sua proveniência, principalmente as crianças. “Chegam aqui por meio de terceiros e nem sempre conseguem dizer-nos de onde vêm”, referiu.
Sobre as dificuldades que o centro enfrenta, Fernando Coelho explicou que, por exemplo, quando falta alimentação, os funcionários fazem uma pequena contribuição para suprir as necessidades dos internados.
“Nem sempre recebemos doação e o Gabinete Provincial da Acção Social faz-nos chegar aquilo que consegue”, disse.
Salientou que a instituição tem parceria com o Gabinete Provincial da Saúde, para assegurar a assistência médica e medicamentosa de todas as pessoas carenciadas que vivem no centro.
Segundo Fernando Coelho, o Centro Onzo Yetu está associado à Fundação Lwini, que se responsabiliza pela formação na área de Corte e Costura, principalmente para pessoas com deficiência física. “Espero que os órgãos competentes prestem maior atenção ao centro, para que, num curto espaço de tempo, a sua estrutura seja reabilitada e ampliada, para permitir que sejam criados outros serviços essenciais à vida humana”, apelou.
Trabalhadores sem salários
Um antigo aluno do curso de corte e costura do centro social Onzo Yetu é hoje um dos formadores. O mestre Manuel Gomes ensina a profissão, gratuitamente, a todas as pessoas com deficiência física, que manifestam interesse em se formar na área.
“Formei-me aqui mesmo, onde já trabalho como formador há quatro anos. Precisamos de apoios para a compra de material e melhorar a energia eléctrica. Os formadores não têm salário e durante a formação os alunos não pagam absolutamente nada”.
Um dos seguranças do centro, Carlos Paciência, pai de oito filhos, disse à nossa reportagem que trabalha no Onzo Yetu há cinco anos e reclama por oito meses de salário. “Preciso que me paguem os meus salários. Para sobreviver, dependo do dinheiro que sai das rendas da casa que tenho em Luanda”.
In JA