Bento Kangamba sem recursos para liquidar dívidas
Bento Kangamba sem recursos para liquidar dívidas
kangamba1

O presidente do Conselho de Administração da Recredit – Gestão de Activos S.A., Valter Rui Dias de Barros, deu com a língua nos dentes, durante um encontro com os jornalistas, revelando indirectamente que o famigerado empresário Bento dos Santos “Kangamba” está com sérias dificuldades financeiras para liquidar a dívida milionária que contraiu no passado junto ao Banco de Poupança e Crédito (BPC).

Valter Barros diz estar em curso, há dois anos, no Tribunal de Comarca de Luanda, um processo de insolvência contra uma empresa [referia-se ao Grupo BK] que não dispõe condições para pagar o valor da dívida, que terá sido contraída na gestão de Paixão Júnior.

“Depois de avaliado o património da empresa, constatamos que não tem condições de pagar o valor da dívida referenciada na insolvência da empresa”, revelou o PCA da Recredit- Gestão de Activos no encontro promovido recentemente pelo Ministério das Finanças.

A Recredit – Gestão de Activos levou ao Tribunal processos avaliados em 129 mil milhões de kwanzas, no âmbito da recuperação de activos tóxicos adquiridos ao Banco de Poupança de Crédito (BPC).

Além do valor referido, 23 mil milhões de kwanzas são de providências cautelares solicitadas ao Tribunal, de acordo com o presidente do Conselho de Administração da instituição, Valter Barros.

De salientar que, em Novembro de 2020, o intitulado “empresário da juventude” Bento Kangamba foi notificado, através de um anúncio nas páginas do Jornal de Angola, para comparecer nas instalações da Recredit – Gestão de Activos S.A., a fim de tratar a questão da sua dívida.

Os pedidos de comparência são instrumentos utilizados pelos bancos, como em outras instituições, para colocar em pontos comuns assuntos de interesse das partes ligadas ao crédito identificado, que estejam em atraso ou em resposta a uma solicitação de revisão, renegociação ou resolução de uma das partes.

Com o core business (negócio nuclear) de comprar dívidas, fundamentalmente crédito mal parado e fazer a sua boa cobrança junto dos mutuários, a Recredit iniciou, desde 2016, um processo de limpeza dos activos tóxicos na carteira de resultados do Banco de Poupança e Crédito.

Burlador detido

Bento Kangamba, que também é oficial superior das FAA, foi detido, em Fevereiro de 2020, na província do Cunene, junto à fronteira com a Namíbia, por crime de “burla por defraudação”, quando tentava abandonar o país via terrestre. Dias depois foi devolvido à liberdade sob termo de identidade e residência.

O caso foi remetido ao antigo Tribunal Provincial de Luanda [actual Tribunal de Comarca de Luanda] que ordenou o confisco de bens de Bento Kangamba, por incumprimento de pagamento de uma dívida avaliada em cerca de 15 milhões de dólares.

A informação está amplamente divulgada em vários órgãos de comunicação social, depois da decisão tomada. Bento Kangamba não liquidou, em tempo útil, uma dívida contraída aos cidadãos Teresa Gerardin e Bruno Gerardin, que recorreram ao poder judicial para o ressarcimento dos seus direitos.

Entre os bens que o Tribunal ordenou o arresto estão prédios rústicos designados por lotes G13 e G14, numa área de 674 metros quadrados, localizada na comuna da Chicala, Distrito da Ingombota, município de Luanda.

Ainda entre os bens por arrestar está também o prédio número 255, localizado na Ingombota, quatro veículos, sendo dois de marca Mercedes Benz, Modelo ML 6.3 AMC, fabricado em 2007 e outro de Modelo Benz, motor V8, fabricado em 2011, um Nissan Patrol e um Hyundai, de modelo Santa Fé.

No passado, Kangamba tem um histórico com autoridades judiciais internacionais. Chegou a ser acusado de tráfico de mulheres pela justiça brasileira e o seu nome esteve também envolvido numa investigação em França sobre o destino de três milhões de euros apreendidos no sul de França e que, alegadamente, se destinava ao general, que estava no Mónaco.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido