Bertino Matondo em via de “refundar” o Serviço de Inteligência Externa
Bertino Matondo em via de "refundar" o Serviço de Inteligência Externa
Betinho Matondo

Matias Bertino Matondo foi empossado pelo Presidente da República, João Lourenço, a 23 de Janeiro no cargo de director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE). É o terceiro em cinco anos da era JLO e o quarto da galeria de directores do SIE que tem em Oliveira Sango aquele que teve o maior consulado (2006-2018) e único que serviu dois Chefes de Estado (JES e JLO).

Bertino Matondo é um veterano experiente da casa que tem pela frente grandes desafios e sob a mesa uma tarefa complexa, mas não impossível: a urgente e necessária refundação do SIE.

Tem-se dito que é em cenários de dificuldades que emergem os grandes líderes. Bertino Matondo terá papel importante no processo de refundação e reorientação de prioridades de que o Serviço de Segurança Externa (SIE) necessita.

É necessário que não se assuma ou alimente o estatuto de homem providencial, aquele que vem com uma varinha mágica para resolver todos os problemas. Deverá ter capacidade emocional para gerir pressões externas e expectativas internas.

Vai enfrentar o dilema de ser o filho pródigo que vem arrumar a casa ou o “santo da casa” que não faz milagre, embora tenha, a seu favor, a opção pela solução interna na chefia da instituição, nomeadamente: a modernização do SIE e do aumento da sua capacidade operativa e de penetração externa, um SIE preparado e adaptado para os grandes desafios globais, a valorização, o reconhecimento e motivação dos seus quadros, bem como a articulação do SIE com os serviços homólogos como o SINSE e o SISM.

Urge incutir uma cultura de inteligência e de segurança ao poder político, proporcionando-lhe uma maior percepção da natureza e importância do papel do SIE na defesa do Estado e protecção dos cidadãos.

Por outro lado, a estratégia da instituição deve estar acima da chamada estratégia do indivíduo, acabar com a cultura de que o indivíduo é superior à instituição e banir o chamado “culto do chefe”, que não é fácil em estruturas que, durante anos, foram formatadas neste modelo.

in Novo Jornal

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