Bié: Professores obrigados a ensaiar para o carnaval denunciam “abuso de confiança”
Bié: Professores obrigados a ensaiar para o carnaval denunciam "abuso de confiança"
prof chinguar

A Direcção Municipal da Educação do Chinguar, na província do Bié, está a obrigar professores e detentores de cargos de direcção e chefia a participar nos ensaios da dança de Carnaval 2025, que terá lugar nos dias 3 e 4 de Março, soube o Imparcial Press.

A medida, formalizada através de um documento assinado e carimbado pelo responsável da Direcção Municipal da Educação (DME), Francisco Chipilica, impõe a participação obrigatória nos ensaios, que decorrem todas as quintas-feiras, às 15h, no pátio da instituição.

No documento, os docentes são advertidos de que poderão ser alvo de penalizações caso não compareçam.

A imposição gerou indignação entre os docentes, que consideram a medida um “abuso de confiança” e um desrespeito à classe”.

“O professor não é dançarino. O professor é transformador de mentes e consciências. A nossa missão é formar cidadãos e não fazer palhaçadas a mando de quem quer que seja”, desabafa Paulino Ngueve, professor no município do Chinguar há 12 anos.

A mesma posição é partilhada por Salomão André, que vê a decisão como uma tentativa de banalizar a profissão docente.

“É lamentável que a Direcção Municipal da Educação nos trate desta forma. Precisamos de ser respeitados e valorizados, e não instrumentalizados para eventos que em nada dignificam o professor”, critica.

Para Zacarias Fernando, professor há mais de cinco anos no município do Chinelo, o problema vai além do Chinguar e revela falta de seriedade no tratamento da classe docente pelo Ministério da Educação.

“Se queremos uma educação de qualidade, o primeiro passo é respeitar aqueles que ensinam. O Ministério da Educação deve olhar para o setor com dignidade e não permitir que os professores sejam usados para fins alheios à sua missão”, alerta.

O Imparcial Press procurou obter um posicionamento do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), mas não obteve resposta.

Entretanto, a redação do jornal promete continuar a acompanhar o caso, que já está a gerar grande repercussão entre os profissionais da educação na província do Bié.

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