
A província do Bié registou 124 mortes associadas ao VIH/Sida no primeiro semestre do ano em curso, representando um aumento de 103 óbitos em relação ao mesmo período do ano anterior.
A informação foi avançada esta segunda-feira pelo chefe do Departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Isaías Cambissa Sambunga, que apontou o abandono do tratamento antirretroviral por parte de alguns doentes como uma das principais causas do agravamento da situação.
De acordo com o responsável, o município do Cuemba lidera a estatística com 90 óbitos, seguido do Cuito com 18 e Nharea com 12 casos registados.
Ainda segundo o dirigente, as autoridades sanitárias diagnosticaram 1.515 novos casos de infecção por VIH no mesmo período, contra 1.229 notificações registadas nos primeiros seis meses do ano passado.
Os dados resultam da realização de 56.111 testes de despistagem, efectuados nos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária espalhados pela província.
Isaías Sambunga destacou que a maior parte dos novos diagnósticos envolve mulheres grávidas, devido à obrigatoriedade do rastreio durante o acompanhamento pré-natal.
No que diz respeito ao tratamento, o responsável garantiu que as unidades sanitárias da província estão abastecidas com medicamentos antirretrovirais, no quadro do apoio prestado pelo Fundo Global, no âmbito do combate às grandes endemias.
Para conter o avanço da doença e reduzir os índices de morbi-mortalidade, as autoridades de saúde do Bié têm reforçado as acções de prevenção primária e secundária junto das comunidades, com destaque para distribuição de preservativos, palestras de sensibilização e divulgação de materiais informativos.
Neste momento, mais de seis mil pessoas vivem com o VIH sob acompanhamento médico regular, recebendo tratamento antirretroviral nas várias unidades sanitárias da província.
Com uma população estimada em mais de dois milhões de habitantes, o Bié conta actualmente com 168 salas de Aconselhamento e Testagem Voluntária, localizadas em diferentes centros e postos de saúde.