Bloco Democrático acusa Governo de repressão violenta e exige apuramento de responsabilidades
Bloco Democrático acusa Governo de repressão violenta e exige apuramento de responsabilidades
BDfilos

O presidente do Bloco Democrático (BD), Filomeno Vieira Lopes, afirmou esta segunda-feira, 4 de Agosto, que o Governo angolano tem recorrido à repressão violenta para conter a insatisfação popular, na sequência dos protestos e tumultos que eclodiram durante a paralisação dos taxistas, ocorrida entre os dias 28 e 30 de Julho.

Durante uma conferência de imprensa realizada em Luanda, o líder do BD caracterizou a greve como uma “tentativa legítima” dos operadores de táxi para serem ouvidos pelo Executivo.

Segundo afirmou, em vez de diálogo, os taxistas foram alvo de “ameaças, chantagem, tentativas de suborno e detenções arbitrárias”, tendo citado o caso do vice-presidente da ANATA, Rodrigo Luciano Catimba.

Filomeno Vieira Lopes denunciou ainda a alegada morte de mais de 40 cidadãos, incluindo estudantes, jovens e trabalhadores, supostamente às mãos das forças de defesa e segurança.

“Temos informações documentadas sobre essas execuções. Entre as vítimas está, por exemplo, a senhora Ana Mabuila, pessoas com sonhos e direitos que foram ceifados”, disse, acrescentando que muitos outros manifestantes ficaram feridos, alguns com sequelas permanentes e sem acesso a tratamento médico.

Referiu também o caso do activista conhecido como “General Nilas”, baleado com munição real durante uma ação de sensibilização e detido em seguida. O episódio foi reportado aos órgãos nacionais e internacionais de direitos humanos.

Face à gravidade dos acontecimentos, o Bloco Democrático apresentou um conjunto de exigências às autoridades, nomeadamente:

  1. Responsabilização imediata dos autores morais e materiais da repressão;
  2. Criação de uma Comissão Independente de Inquérito, com representantes da sociedade civil, Ordem dos Advogados e das Nações Unidas;
  3. Libertação imediata dos cidadãos detidos arbitrariamente, sobretudo menores;
  4. Indemnização às famílias das vítimas de abusos e violência;
  5. Fim do ambiente securitário disfarçado de manutenção da ordem pública;
  6. Levantamento do que consideram ser um estado de sítio informal, em vigor desde 29 de Julho.

Num discurso crítico, Filomeno Vieira Lopes declarou que “este regime não está apenas cansado. Está podre. E quando um regime apodrece, começa a matar para se manter de pé. Vive em negação da realidade, mente para sobreviver, reprime para se proteger.”

Reafirmando o posicionamento do partido, o líder do BD manifestou solidariedade para com os taxistas, activistas detidos e familiares das vítimas dos confrontos.

“O BD não se calará diante do medo. Estamos com os taxistas, com os jovens que se manifestam, com os activistas como Osvaldo Caholo, e com as mães que choram os seus filhos”, frisou.

No encerramento, defendeu a suspensão imediata do aumento dos combustíveis, apelando a uma gestão mais racional da economia nacional.

“É preciso parar com o aumento dos preços. O país não pode continuar a gastar milhões com eventos como a vinda da selecção argentina, enquanto o povo passa fome. O diálogo com as forças sindicais dos taxistas é um imperativo nacional”, concluiu.

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