
O Bloco Democrático (BD) criticou ontem, quarta-feira, a decisão do Conselho Constitucional de Moçambique de validar os resultados das eleições gerais de 09 de Outubro, que são contestados pela população e a comunidade internacional, exigindo à reposição da verdade eleitoral.
No comunicado enviado, quarta-feira, à redacção do Imparcial Press, BD considera a decisão como uma validação de irregularidades denunciadas por partidos da oposição, que acusam a FRELIMO, no poder há quase 50 anos, de manipular o processo eleitoral.
Segundo o comunicado, a decisão do Conselho Constitucional reforça uma ruptura entre o poder instituído e o povo moçambicano, agravando tensões já existentes no país. Por este motivo, BD expressa apoio à resistência pacífica liderada por Venâncio Mondlane.
O partido critica também a posição do governo português, que, segundo o documento, legitimou de forma apressada a decisão do Conselho Constitucional moçambicano.
A crítica estende-se à abordagem da comunidade europeia em relação a crises políticas em países lusófonos, sugerindo a existência de critérios inconsistentes.
O Bloco Democrático emitiu ainda um alerta ao governo angolano, pedindo que se abstenha de apoiar medidas que possam fragilizar a estabilidade política na região.
A declaração menciona Angola como exemplo de um país que enfrentou consequências graves após as eleições de 1992 e sublinha a necessidade de evitar dinâmicas semelhantes.
No comunicado, o partido pede às forças democráticas internacionais que pressionem por uma solução justa para a situação política em Moçambique, baseada na justiça e no respeito pelos direitos do povo.
O Bloco Democrático encerra a declaração com um apelo ao povo angolano, pedindo vigilância à medida que o país se aproxima das eleições de 2027, alertando para o risco de possíveis irregularidades no processo eleitoral.
A situação em Moçambique continua a gerar reações dentro e fora do continente africano, destacando as implicações regionais das crises políticas no espaço lusófono.