
Mais de 400 bolseiros das Forças Armadas Angolanas – sendo oficiais superiores e subalternos do Estado Maior General, Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra – em formação de licenciatura, mestrado e doutoramento, espelhados em diversos países do mundo, estão desde o mês de Março sem receberem os seus respectivos subsídios, apurou o Imparcial Press junto dos mesmos.
Para sobreviver da triste situação em que estão mergulhados, alguns bolsistas optarem em procurar empregos “insignificantes” em fazendas (semeando couve e batatas) e restaurantes, para resolverem o problema do estômago e da hospedagem, enquanto a Direcção Principal de Preparação de Tropas e Ensino para Análise Didáctica dos Programas das Instituições de Ensino Militar do Estado-Maior General das FAA, cujo responsável é o tenente-general Samuel Zinga Emília, cruza os braços na sombra da bananeira.
Segundo os dados em posse do Imparcial Press, os referidos bolseiros das FAA no exterior do país estão subdivididos na Rússia, América do Sul, Europa e África.
“Somos incompreensivelmente suportados pelo Banco Económico (antigo Banco Espírito Santos de Angola) que alegam estar à beira da falência, e a Direcção de Finanças do Estado Maior General das FAA insiste disponibilizar lá os subsídios que se arrastam entre o atraso e a desvalorização”, balbuciou a fonte do Imparcial Press, frisando que, neste quesito, nem o chefe do Estado-Maior General intervém “e fica tudo no silêncio como se fosse normal”.
De acordo com a nossa fonte, os atrasos que se regista desde Março último têm provocado graves consequências. “Muitos oficiais superiores estão a recorrer a trabalhos indignos, prestigiando as Forças Armadas Angolanas”, contou a fonte do Imparcial Press.
“Já na Rússia, os oficiais superiores fazem biscates de protecção para sobreviver e enquanto outros que já terminaram foram despojados dos seus aposentos por falta de pagamento e nem as FAA conseguem agilizar bilhetes de passagem para os retirar”, revelou.
No entanto, denunciou que muitos oficiais superiores do Estado Maior General das FAA têm feito “negócios” com os cartões dos beneficiários, retirando maldosamente os valores nos cofres do Estado sem serem bolseiros.
Este esquema, conforme a fonte do Imparcial Press, funciona sob o olhar impávido da Direcção Principal de Preparação de Tropas e Ensino para Análise Didáctica dos Programas das Instituições de Ensino Militar do Estado-Maior General das FAA.
“Estamos numa situação de dívida nas universidades, escorraçados dos quartos pelos senhorios e trabalhar como um vigilante ou plantar couves por 20 euros diários para manter a barriga”, lamentou a fonte.
“Pensamos que o país não tem motivos para fazer passar uma reserva moral nestas condições”, defendeu, lembrando que “o governo assegurou recentemente o pagamento dos salários à função pública e os subsídios de bolsa”.
Outrossim, os lesados reclamam do valor de subsídio inicialmente estipulado, que variava de 2500 a 4000 dólares norte-americanos. “Mas que na realidade actualmente não passa dos 1800 dólares e a Direcção de Finanças do Estado Maior General das FAA alega a desvalorização do kwanza”, rematou.