
A administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC) está a ser alvo de críticas relacionadas com o processo de aquisição e implementação do novo sistema core bancário, denominado Fusion Bank, devido a alegadas sobrefacturações e atrasos na entrada em funcionamento da plataforma, segundo fontes ligadas ao processo.
O projecto teve início durante a gestão do então presidente do Conselho de Administração (PCA), Alcides Safeca, que aprovou um orçamento global de aproximadamente 15 milhões de euros para a aquisição do sistema, com um prazo máximo de implementação de 18 meses.
De acordo com as mesmas fontes, o pagamento à fornecedora do sistema, a empresa internacional Finastra, terá sido efectuado numa fase em que Alcides Safeca já se encontrava em processo de saída da instituição, tendo sido previamente notificado para não autorizar novas operações financeiras.
Com a entrada em funções dos novos administradores, André Lopes e Cláudio Pinheiro, a Finastra terá passado a emitir novas notas de cobrança por serviços associados ao Fusion Bank, que, alegadamente, já estariam incluídos nos pagamentos anteriormente efectuados.
Outro aspecto apontado prende-se com a alteração das entidades envolvidas na implementação do sistema. Inicialmente, o contrato previa a participação da Deloitte como parceira da Finastra no processo de integração tecnológica.
No entanto, posteriormente, terão sido incluídas outras consultoras, nomeadamente a KPMG e a Informantem – actualmente designada Bravantic -, o que, segundo críticos do processo, terá contribuído para o aumento significativo dos custos do projecto.
Até ao momento, a administração do Banco de Poupança e Crédito não se pronunciou publicamente sobre as alegações relacionadas com o Fusion Bank, nem sobre os prazos previstos para a plena operacionalização do sistema.
O BPC é o maior banco público de Angola e encontra-se, nos últimos anos, num processo de reestruturação financeira e tecnológica, com acompanhamento das autoridades monetárias nacionais.