
O VIII Congresso Extraordinário do MPLA, que terminou terça-feira, em Luanda, serviu de palco para a renovação do Bureau Político (BP), com a entrada de novos membros e a saída de algumas figuras de peso.
O órgão, responsável pela estratégia e organização interna do partido, passa agora a contar com 103 membros, dois a mais do que na sua versão anterior.
A mudança, anunciada pelo presidente do partido, João Lourenço, teve um toque de “vassoura bem afinada”, como constatou o Imparcial Press, capaz de varrer antigos ministros, secretários de Estado e até governadores para fora da cobiçada lista.
Quem saiu?
Entre os membros afastados, constam ex-governadores, ministros, secretários de Estado, entre outros:
• Eugénio César Laborinho – ex-ministro do Interior;
• Irene Alexandra da Silva Neto – vice-ministra das Relações Exteriores e filha de Agostinho Neto;
• Maria Antonieta Josefina Sabina – ex-ministra das Pescas e do Mar;
• Dalva Maurícia Ringote Allen – ex-ministra de Estado para a Área Social;
• Pedro Makita Armando Júlia – ex-governador das províncias do Zaire e Cuanza Norte;
• Loti Nolika – ex-governadora da província do Huambo;
• Job Castelo Capapinha – ex-governador da província do Cuanza Sul;
• Ana Celeste Cardoso Januário – ex-secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania;
• Dolina Nassocópia Miguel Tchinhama – jornalista ligada à OMA;
• Manuel Pedro Chaves – embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola na Polónia, Letónia, Lituânia e Estónia;
• Paula Cristina Domingos Francisco Coelho – ex-secretária de Estado para a Acção Climática;
• Ângela Maria Botelho de Carvalho Diogo – vice-governadora da província do Zaire;
• Hemingarda João Fernandes – antiga primeira secretária da JMPLA em Luanda;
• Aniceto da Fonseca Emílio Pedro – director de Apoio Parlamentar da Assembleia Nacional;
• Esperança Luzia Jackon Pembele – docente universitária;
• Evandra Luísa de Jesus Martins Mingas – ex-assessora do gabinete do Vice-Presidente da República.
Novos membros
No grupo dos 18 novos membros, destacam-se nomes jovens e outros com vasta experiência, com idades compreendidas entre 29 e 68 anos:
• Justino Fernando de Castro Capapinha – Primeiro Secretário Nacional da JMPLA (29 anos);
• Danila Patrícia de Almeida Bragança – Secretária de Estado para a Juventude (30 anos);
• Márcio de Jesus Lopes Daniel – Ministro do Turismo (39 anos);
• Nádia Agostinho Borges da Conceição Monteiro – Deputada do MPLA (38 anos);
• Kilamba Kiúyma Sebastião Van-Dúnem – Deputado e 3.º Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA (45 anos);
• Daniel Félix Neto – Governador da província da Lunda Sul (45 anos);
• Susana Fernanda Pemba Massiala de Abreu – Governadora da província de Cabinda (52 anos);
• Ricardo Daniel Sandão Queirós Viegas de Abreu – Ministro dos Transportes (55 anos);
• Nvunda Benvindo das Neves Salucombo – Advogado e deputado do MPLA (47 anos);
• Diamantino Pedro Azevedo – Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (61 anos);
• Maria Odete Sanches Tavares – Antiga andebolista e deputada do MPLA (48 anos);
• Maria Carolina Manuel Fiel Maria Fortes – Deputada do MPLA (61 anos);
• Mariana de Lourdes Lisboa Filipe – Quadro do SINSE;
• Nilza da Graça Félix Manuel Faria – Responsável do Gabinete de Recursos Humanos da IGAE;
• Filomena Elisabeth Chitula Miza Aires – Governadora da província da Lunda Norte;
• Aleixo Martins Panzo Nianga – Membro do Comité Central e quadro da Sogester;
• Auzílio de Oliveira Martins Jacob – Governador da nova província de Icolo e Bengo;
• Lúcio Gonçalves Amaral – Governador da nova província do Cuando (68 anos).
A vassoura ou o trampolim?
As mudanças no Bureau Político são apresentadas como uma aposta no rejuvenescimento e modernização, mas não deixam de levantar questões. Terão os afastados sido vítimas de um “processo natural de renovação” ou simplesmente não “dançaram a música certa”?
Enquanto os novos membros se acomodam nas suas cadeiras, os excluídos talvez encontrem consolo na frase habitual: “A política é dinâmica”.
Por agora, o MPLA celebra um BP “renovado e alinhado com os novos tempos”, como destacou João Lourenço.
Resta saber se os tempos serão tão novos quanto prometem ou se esta vassoura precisará de mais varreduras no futuro.