
A ausência de uma casa mortuária no município de Belize, na província de Cabinda, está a gerar profundas insatisfações entre os habitantes locais, que denunciam o tratamento inadequado dos corpos dos falecidos e os elevados custos associados ao transporte dos mesmos.
A situação tem causado constrangimentos e agravado o sofrimento das famílias em luto, especialmente durante a época chuvosa, enquanto governo local faz insensivelmente vista grossa a situação.
Sem uma casa mortuária disponível, os corpos têm sido transportados para o município vizinho de Buco Zau, a cerca de 45 km de distância.
Este percurso é realizado frequentemente em motorizadas de três rodas, ou seja, de kupapatas, expondo os acompanhantes e os próprios corpos a riscos consideráveis, devido às péssimas condições das estradas e falta de um carro fúnebre.
A população do município de Belize, que já enfrenta desafios socio-económicos significativos, afirma desconhecer as razões para a inexistência de uma casa mortuária no local.
O estado precário das estradas agrava ainda mais o problema, dificultando o transporte e colocando em risco a segurança de todos os envolvidos, particularmente durante a época das chuvas.
“É uma situação insustentável. Além de lidar com a dor da perda, as famílias são obrigadas a gastar somas exorbitantes para garantir que os corpos dos seus entes queridos sejam levados para Buco Zau”, lamentou um dos residentes ao Imparcial Press.
Os munícipes apelam à administração local que demonstre maior sensibilidade e responsabilidade para resolver o problema, sublinhando que a construção de uma casa mortuária em Belize é uma necessidade urgente e um gesto de respeito para com a dignidade humana.
“O povo merece mais respeito e consideração. A administração precisa de priorizar esta questão, pois estamos a falar de condições mínimas para lidar com situações tão delicadas como a perda de um ente querido”, reforçou outro morador.
A situação em Belize é um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos municípios rurais em Angola, onde a falta de infra-estrutura básica compromete a qualidade de vida das populações.
Apesar dos discursos sobre desenvolvimento regional, muitos habitantes de zonas periféricas continuam a viver em condições de abandono, sem acesso a serviços essenciais.
Os munícipes de Belize esperam que o clamor colectivo seja ouvido e que a construção de uma casa mortuária seja uma prioridade na agenda da administração municipal no ano que avizinha, como forma de aliviar o sofrimento da população e garantir um tratamento digno aos falecidos.